O que se passa entre Merz e Trump, o que fazem tropas americanas na Alemanha e pode Trump retirá-las?

Ana Maria Pimentel
Ana Maria Pimentel

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Donald Trump ameaçou reduzir ou retirar parte das tropas norte-americanas estacionadas na Alemanha, mais um episódio na crise que opõe os dois líderes e que começou quando Merz disse que os Estados Unidos estavam a ser “humilhados” pelo Irão nas negociações sobre o programa nuclear, acrescentando que a diplomacia norte-americana parecia estar a ser superada pela estratégia iraniana de evitar compromissos.

Trump reagiu com um post na Truth Social a acusar Merz de “não saber do que está a falar” e de interpretar mal a situação do Irão. O Presidente norte-americano defendeu que a sua administração estava a lidar com o problema iraniano de forma mais eficaz do que administrações anteriores e insinuou que os aliados europeus não compreendem a complexidade do conflito.

Hoje, Trump elevou o tom e afirmou que os Estados Unidos estão “a estudar e a rever” a presença militar na Alemanha, sugerindo que uma redução de tropas poderá acontecer “num futuro próximo”.

A Alemanha alberga a maior presença militar norte-americana na Europa, com cerca de 36 mil soldados em território alemão. Entre as principais infraestruturas está a base de Ramstein, um dos centros estratégicos mais importantes dos EUA fora do país, que serve também como ponto logístico para operações no Médio Oriente e em África.

Já hoje, Merz tinha tentado desvalorizar a tensão, afirmando que a relação pessoal com Trump “continua boa” e reafirmando o compromisso da Alemanha com a parceria transatlântica e com a NATO. Na mesma conferência de imprensa, acrescentou que ambos mantêm uma comunicação normal. O chanceler explicou que as suas críticas à situação no Médio Oriente não eram dirigidas a Trump, mas sim às consequências do conflito, em particular o impacto económico na Europa, como o aumento dos preços da energia causado pela instabilidade no Estreito de Ormuz.

Contudo, esta ameaça de Trump não é novidade. Durante o primeiro mandato de Trump já tinham existido ameaças semelhantes de redução de tropas na Alemanha, associadas a críticas sobre o baixo investimento alemão na defesa dentro da NATO. No entanto, essas propostas acabaram por não ser concretizadas, em parte devido à oposição política em Washington.

Porque é que há tantos soldados americanos na Alemanha?

Os Estados Unidos mantêm bases militares na Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando cerca de 1,6 milhões de soldados norte-americanos estavam no país para funções de ocupação, desmilitarização e reconstrução após a derrota nazi. Com o início da Guerra Fria, esta presença ganhou um novo significado estratégico: a Alemanha Ocidental tornou-se uma peça central na contenção da União Soviética. A criação da NATO e da República Federal da Alemanha, em 1949, consolidou a permanência destas bases.

Durante o auge da Guerra Fria, sobretudo entre as décadas de 1960 e 1980, chegaram a estar mais de 250 mil militares norte-americanos na Alemanha, acompanhados por centenas de milhares de familiares, formando comunidades que funcionavam como autênticas cidades americanas. Existiam dezenas de grandes bases e centenas de instalações. Após a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, esse número foi sendo progressivamente reduzido.

Hoje, cerca de 36.400 militares dos EUA permanecem na Alemanha, mais de metade do total de tropas americanas estacionadas na Europa. Estão distribuídos por várias bases estratégicas, como a Base Aérea de Ramstein, um dos principais centros logísticos e operacionais dos EUA fora do território americano, e Stuttgart, onde estão sediados os comandos United States European Command e United States Africa Command, responsáveis por coordenar operações militares na Europa e em África. Outras infraestruturas importantes incluem áreas de treino na Baviera, a base de Wiesbaden e o hospital militar de Landstuhl, o maior dos EUA fora do país.

Hoje em dia, estas bases são plataformas essenciais para a projeção global de poder dos Estados Unidos. A partir delas foram apoiadas e lançadas operações em vários conflitos, como a Guerra do Iraque e a Guerra do Afeganistão, além de intervenções mais recentes no Médio Oriente.

Apesar da nova ameaça, uma redução significativa é improvável. As bases na Alemanha são vistas como fundamentais não apenas para a segurança europeia, mas também para os próprios interesses estratégicos dos EUA, permitindo rápida mobilização de forças e apoio logístico a operações globais. Além disso, existem limitações legais que obrigam a manter um número mínimo de tropas na Europa e custos elevados associados a qualquer retirada substancial. Assim, embora o tema surja ciclicamente no discurso político, a presença militar americana na Alemanha continua a ser um pilar central da estratégia global dos Estados Unidos.

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