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Na oração, Pete Hegseth afirmou estar a usar uma adaptação de um texto tradicionalmente associado a militares das unidades de resgate (CSAR – Combat Search and Rescue), referindo-o como uma formulação ligada ao espírito de camaradagem e missão. Mas rapidamente se levantaram dúvidas porque o texto é praticamente igual a um discurso do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, onde Samuel L. Jackson recita uma versão muito mais longa e dramática desse versículo, cheia de referências a vingança e punição.

“O caminho do piloto abatido está cercado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens malvados. Bem-aventurado aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E eu castigarei com grande vingança e ira aqueles que tentarem capturar e destruir o meu irmão. E saberás que o meu nome é Sandy One quando eu derramar a minha vingança sobre ti. Ámen”Pete Hegseth

Contudo, a passagem recitada não corresponde diretamente à Bíblia. O versículo de Ezequiel 25:17, no texto bíblico original, é relativamente curto e tem uma linguagem simples, centrada na ideia de vingança divina contra inimigos históricos de Israel. E a polémica agigantou-se uma vez que aconteceu uma vez que as sessões mensais de oração do Pentágono, organizadas pelo Departamento da Defesa, são transmitidas em direto na página de Youtube da instituição.

“Vou castigá-los severamente e vingar-me-ei com todo o furor. Assim sentirão a minha dura vingança e saberão que eu sou o Senhor.”Ezequiel 25:17

Ouvindo e comparando, percebe-se que a versão utilizada por Hegseth aproxima-se muito mais de uma célebre fala do filme Pulp Fiction (1994), de Quentin Tarantino, proferida pela personagem Jules Winnfield, interpretada por Samuel L. Jackson. Nessa cena, antes de executar um adversário, a personagem recita uma versão dramatizada e expandida do versículo bíblico, com uma linguagem muito mais elaborada e violenta, introduzindo expressões como “grande vingança”, “ira furiosa”, “vales das trevas” e a ideia de ser o “guardião do seu irmão”. Esta versão cinematográfica não é uma tradução da Bíblia, mas sim uma reinterpretação estilizada criada para efeito dramático.

“Há uma passagem que decorei e parece apropriada para este momento: Ezequiel 25:17. O caminho do homem justo está cercado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens malvados. Bem-aventurado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, guia os fracos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E eu castigarei com grande vingança e ira aqueles que tentarem envenenar e destruir os meus irmãos. E sabereis que o meu nome é o Senhor quando eu derramar a minha vingança sobre vós”Pulp Fiction

Ora, a oração de Hegseth segue praticamente a mesma estrutura do monólogo de Pulp Fiction, ainda que adaptada ao contexto militar contemporâneo. Em vez de referências ao “homem justo” ou à moralidade individual, a versão recitada no Pentágono fala de pilotos abatidos, camaradagem entre militares e missões de resgate em território hostil, mantendo, contudo, o tom de vingança e retaliação presente no filme.

Hegseth defendeu que a passagem era uma adaptação baseada em Ezequiel 25:17 e afirmou que esse tipo de formulação já seria usada em círculos militares como uma espécie de oração simbólica para unidades de resgate. No entanto, não mencionou qualquer ligação ao filme durante a cerimónia nem reconheceu a origem cinematográfica do texto. Mais tarde, a equipa do Pentágono acabou por admitir que a oração era claramente inspirada no diálogo de Pulp Fiction, embora tenha defendido que a referência ao versículo bíblico era legítima enquanto inspiração geral.

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