“A direita não lidera, a direita definha”: esquerda internacional reúne-se em Barcelona em "defesa dos valores sociais-democratas"

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou este sábado em Barcelona que “a ultradireita e a direita lacai­a fazem muito ruído, muitos tweets”, mas que “não gritam porque estejam a ganhar, gritam porque sabem que o seu tempo está a acabar”.

A declaração marcou o encerramento da Global Progressive Mobilisation, um encontro internacional de dois dias que reuniu líderes políticos de vários países contrários às políticas associadas a Donald Trump e que incluiu também uma cimeira de chefes de Estado e de Governo de orientação progressista.

Perante cerca de 5.000 pessoas, num ambiente descrito pelo jornal El Confidencial como de grande comício político, Pedro Sánchez encerrou o evento rodeado de várias figuras da esquerda internacional, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

O chefe do executivo espanhol defendeu que “a direita não lidera, a direita definha”, acrescentando que “as pessoas estão a perceber que não têm projeto nem soluções” e que “só trouxeram guerra, inflação, desigualdade e fractura social”. Para Sánchez, “o tempo da internacional ultradireitista e da sua direita servil chegou ao fim”.

A cimeira, que procurou afirmar uma mobilização progressista global, teve como ideia central o encerramento de um ciclo político e a defesa dos valores sociais-democratas, tanto a nível internacional, com o respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos, como a nível interno, travando o avanço da extrema-direita.

Vários intervenientes, entre os quais o presidente da Câmara de Barcelona, Jaume Collboni, referiram a derrota eleitoral do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán como sinal desse possível fim de ciclo político.

Sánchez evitou referir diretamente o Partido Popular (PP), mas classificou-o como “direita lacai­a”, acusando-a de estar alinhada com a extrema-direita. O líder socialista recorreu ainda a referências da esquerda internacional, como o antigo presidente uruguaio José Mujica, para sustentar o seu discurso.

Durante a intervenção, o presidente espanhol apelou à unidade das forças progressistas e felicitou os presentes “por terem recuperado o orgulho”. Criticou ainda a direita por tentar desvalorizar a esquerda através de rótulos políticos e culturais e afirmou que “a vergonha muda de lado”, defendendo que “a partir de agora é deles”.

Sánchez insistiu na defesa dos princípios social-democratas, sublinhando a necessidade de unidade entre partidos, países e gerações. “O orgulho é nosso: de ser pacifistas, ecologistas, feministas e progressistas”, afirmou, acrescentando que o objetivo é construir um modelo económico mais justo e inclusivo.

O líder espanhol destacou ainda medidas do seu governo, como a regularização de cerca de meio milhão de imigrantes, defendendo que “a Espanha é filha da imigração e não pode ser mãe da xenofobia”.

Num registo de confiança no futuro, Sánchez rejeitou o pessimismo político e afirmou que é possível conciliar subida de salários com criação de emprego, como tem acontecido em Espanha, insistindo na “fé na democracia” e na ideia de progresso.

Carneiro critica direita portuguesa e alerta para avanço da extrema-direita

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, participou na cimeira e afirmou que, em Portugal, a direita democrática “está cada vez mais no sentido da extrema-direita”, acusando o líder do executivo, Luís Montenegro, de usar temas associados a essa corrente política como distração para a incapacidade de resolver os problemas do país.

José Luís Carneiro marcou presença em Barcelona durante dois dias, onde estiveram também líderes como o presidente brasileiro Lula da Silva e outros chefes de Estado e antigos governantes de partidos de centro-esquerda, incluindo o ex-primeiro-ministro português António Costa.

O dirigente socialista foi filmado ao lado de Pedro Sánchez e partilhou o momento nas redes sociais. Em Barcelona, participou num painel paralelo, fora da sessão principal, tendo depois falado aos jornalistas portugueses, onde detalhou a ameaça da extrema-direita tal como a identifica.

Lula da Silva critica instabilidade "matinal" de Trump

Lula da Silva afirmou que “nenhum Presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem direito de impor as regras a outros países”, defendendo que o Conselho de Segurança da ONU deve “mudar o seu comportamento”.

O chefe de Estado brasileiro criticou ainda a instabilidade global associada a Donald Trump, afirmando que não é possível “acordar todos os dias com um tweet de um Presidente da República a ameaçar o mundo”.

Na presença de líderes como Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), Lula alertou para o risco da “falta de respeito” pelas instituições internacionais e lamentou a incapacidade da ONU para garantir estabilidade em conflitos como o do Médio Oriente.

O presidente brasileiro deverá viajar na próxima terça-feira para Portugal, onde tem encontros agendados com o Presidente da República e com o primeiro-ministro.

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