Um "dia normal" de greve, a segunda da era Montenegro

Mariana Santos Galo
Mariana Santos Galo

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A segunda greve geral da segunda legislatura de Luís Montenegro (a primeira aconteceu no dia 12 de dezembro de 2025) ficou marcada por manifestações em Lisboa e no Porto, terminando com uma manifestação junto à Assembleia da República e seis detidos. Apesar dos impactos registados, o Governo sustenta que os indicadores económicos apontaram para um "dia normal".

Convocada pela CGTP contra o pacote laboral do Governo, a paralisação teve impacto em vários setores da administração pública e dos transportes, mobilizou trabalhadores para as ruas e terminou com seis detidos na sequência de desacatos junto à Assembleia da República.

No Porto, a manifestação da CGTP reuniu centenas de pessoas, segundo o Observador, que percorreram o trajeto entre a Praça da Batalha e a Avenida dos Aliados, empunhando bandeiras e entoando palavras de ordem contra as alterações laborais propostas pelo Executivo.

Já na capital, o ambiente agravou-se ao final da tarde nas imediações da Assembleia da República. Um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia, tendo sido registados desacatos e detenções. Durante os incidentes, foram incendiados caixotes do lixo e outros objetos colocados na via pública, situação rapidamente controlada pelas autoridades.

Ao longo do dia, os manifestantes entoaram palavras de ordem como "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e "O povo unido jamais será vencido". Entre o grupo envolvido nos confrontos ouviram-se também críticas à atuação policial e ao pacote laboral do Governo.

Nas concentrações promovidas pela CGTP, os dirigentes sindicais destacaram aquilo que classificaram como uma adesão expressiva à greve. No Porto, a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, falou numa adesão de cerca de 80% nos hospitais e centros de saúde da região Norte e apelou aos trabalhadores para que não se deixassem "enganar" pelos números apresentados pelo Executivo.

Do lado do Governo, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, apresentou uma leitura distinta. Segundo os dados divulgados pelo Executivo, a adesão no setor público foi de 23%, ressalvando que o valor se refere a ausências ao serviço e não necessariamente à participação na greve.

Os setores mais afetados foram a educação, a saúde e os transportes. Entre 38% e 45% das escolas encerraram, o que levou ao adiamento de provas de aferição de Português para cerca de 48% dos alunos previstos. Nos hospitais realizaram-se apenas 25% das cirurgias programadas e 72% das consultas previstas, embora os serviços de urgência tenham funcionado com normalidade ao abrigo dos serviços mínimos.

Nos transportes, registaram-se adesões que atingiram os 75% em alguns subsetores. O Metropolitano de Lisboa parou totalmente, enquanto nos aeroportos foram cancelados 49% dos voos programados. Nos portos, apenas Setúbal registou perturbações significativas.

Apesar destes constrangimentos, o Governo considera que o impacto económico da greve foi limitado. A ministra do Trabalho afirmou que os consumos de energia e gás se mantiveram estáveis, tal como os pagamentos eletrónicos e assinalou que o tráfego nas pontes sobre o Tejo registava mesmo um ligeiro aumento de 0,2% até meio da tarde.

"Os indicadores gerais da economia apontam para um dia de atividade económica normal", afirmou a governante, acrescentando que não se prevê que a greve tenha consequências económicas relevantes.

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