Livre diz que há “caos” nos exames. Montenegro recusa e garante que há só “problemas”

Catarina Borges Duarte
Catarina Borges Duarte

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recusou hoje, 16 de julho, que haja uma situação de caos nos exames nacionais. Em resposta à líder da bancada do Livre, o chefe do Governo falou apenas em “problemas”.

O caos nos exames é apenas o sintoma mais visível desta reforma do Estado. É assim que tem sido: levam tudo a eito sem um mínimo de respeito pelas pessoas”, acusou Isabel Mendes Lopes, do Livre, durante o debate sobre o Estado da Nação. Montenegro negou e devolveu a acusação, dizendo que “perto do caos estava a escola pública” quando assumiu o Governo.

O tema surgiu no dia em que o prazo das correções dos exames nacionais voltou a derrapar. A primeira data limite era 15 de julho, mas as falhas no processo provocaram um adiamento para ontem, dia 16. No entanto, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, divulgou ao início do dia de hoje que os exames não estavam totalmente corrigidos e que faltavam ainda 0,7% das questões.

Fernando Alexandre foi mais longe e assumiu que as notas poderiam não ser divulgadas amanhã. Pediu ajuda aos professores, assegurou ser necessário um “esforço adicional” e garantiu não culpar os docentes pelos atrasos.

A correção dos exames está marcada por contratempos desde o início do processo. Na origem estão problemas ligados ao facto de as provas serem corrigidas digitalmente, apesar de terem sido feitas em papel pelos alunos. Esta mudança obrigou a que mais de 300 mil exames fossem transportados para Sintra, onde foram digitalizados antes de serem distribuídos pelos professores corretores.

Os docentes queixaram-se de falhas desde o início da correção, no final de junho, altura em que se começaram a acumular problemas com a plataforma usada para corrigir os exames. Houve professores queixarem-se de não receberem as provas, de não conseguirem aceder à plataforma e até de não terem todas as folhas preenchidas pelos estudantes.

Os atrasos constantes colocaram em causa o calendário para a segunda fase dos exames, que tinha início marcado para esta quinta-feira, 16 de julho, mas que já foi alterada para dia 20.

Com o objetivo de garantir a transparência do processo, o Ministério da Educação já garantiu que todos os alunos vão poder aceder, de forma simples e rápida, às correções dos respectivos exames. Apesar disto, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas disse hoje à comunicação social que as provas só serão disponibilizadas mediante requerimento.

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