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A saída de Fedorov foi anunciada pelo próprio através de uma mensagem publicada na rede social Telegram, na qual afirmou que servir o povo ucraniano tinha sido "uma grande honra". O governante, de 35 anos, era amplamente reconhecido pelo papel desempenhado na transformação do Ministério da Defesa e pela implementação de medidas destinadas a reduzir a corrupção.

Os seis meses em que esteve à frente da tutela coincidiram com uma melhoria significativa da posição militar da Ucrânia no conflito com a Rússia, diz o The Guardian. Durante este período, Kiev realizou sucessivos ataques com drones de longo alcance contra refinarias de petróleo russas, operações que colocaram Moscovo sob pressão e provocaram escassez de combustível em várias regiões da Rússia.

Na mensagem de despedida, Fedorov destacou várias das iniciativas desenvolvidas durante o seu mandato. Entre elas, referiu a desativação do sistema Starlink para as tropas russas, o reforço da aquisição de drones utilizados para atacar a logística militar inimiga e isolar a Crimeia ocupada, bem como uma profunda revisão do sistema de compras do Ministério da Defesa, que, segundo afirmou, permitiu poupar "milhares de milhões de dólares" ao orçamento do Estado.

No mesmo dia em que deixou o cargo, revelou ainda que as forças armadas ucranianas tinham testado com sucesso um míssil balístico. Segundo explicou, foram revistas as especificações técnicas do projecto, alcançando-se uma precisão máxima e reduzindo os custos em 30%. "A Ucrânia vai entrar numa nova liga", afirmou.

Até ao momento, não é claro se Fedorov assumirá outro cargo no executivo. Na quarta-feira, o parlamento ucraniano aceitou a demissão da primeira-ministra, Yulia Svyrydenko, depois de Zelensky defender que o Governo precisava de um novo rumo. O nome mais apontado para a sucessão é o de Serhiy Koretskyi, atual responsável pela empresa energética Naftogaz.

A decisão de afastar o ministro provocou uma onda de críticas entre apoiantes e observadores. Segundo o jornal britânico, circulam também rumores sobre um alegado conflito entre Fedorov e o comandante-chefe das forças armadas ucranianas, o general Oleksandr Syrskyi.

Entre os que defenderam a continuidade do ministro encontra-se Michael McFaul, antigo embaixador dos Estados Unidos em Moscovo, que, juntamente com outros aliados da Ucrânia, apelou esta semana para que Zelensky mantivesse Fedorov no cargo.

Serhii Sternenko, colaborador próximo do agora ex-ministro, lamentou a decisão, afirmando que o país ficou "significativamente mais longe da vitória". Acrescentou ainda que as reformas iniciadas nem sequer tiveram oportunidade de avançar plenamente devido a "atrasos deliberados" e a "obstáculos burocráticos".

Também a deputada da oposição Iryna Gerashchenko criticou a decisão. Antes mesmo da confirmação oficial, questionou no parlamento como era possível que "a única nomeação sensata de Zelensky", referindo-se a Fedorov, estivesse em risco.

Nas redes sociais multiplicaram-se igualmente as manifestações de apoio ao antigo ministro. Entre milhares de mensagens, vários utilizadores afirmaram não compreender a decisão presidencial, enquanto outros elogiaram Fedorov por ter dado esperança aos ucranianos e demonstrado o que era possível alcançar com foco na vitória do país.

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