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O documento, com o tema "Governar com um Parlamento Fragmentado", atribui parte dessas dificuldades à ausência de uma maioria parlamentar estável e à falta de avaliações sustentadas das medidas adotadas. Ao longo de 16 ensaios, investigadores analisam diferentes áreas da ação governativa e concluem que várias reformas assentam em défices de informação e em escassa avaliação do impacto de políticas anteriores, comprometendo a sua eficácia e dificultando a identificação de alternativas.

Na área da imigração, o relatório sustenta que as alterações à Lei de Estrangeiros não influenciam os fluxos migratórios, que dependem sobretudo da evolução da economia e do mercado de trabalho. Em contrapartida, os autores consideram que as mudanças dificultam a integração dos imigrantes e prolongam situações de irregularidade, agravando a vulnerabilidade destas populações.

O documento critica igualmente a alteração do modelo de governação das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), considerando que a nomeação direta de vice-presidentes pelo Governo representa um reforço do controlo político e um recuo na autonomia destas entidades.

No combate à pobreza, os investigadores concluem que o aumento do Complemento Solidário para Idosos fez crescer significativamente a despesa pública, sem produzir uma redução proporcional da pobreza entre os mais velhos. Segundo as simulações apresentadas, uma atualização do apoio indexada ao limiar de pobreza teria permitido melhores resultados com menor despesa.

Na área da inteligência artificial, o relatório destaca que Portugal caiu do 15.º para o 21.º lugar no ranking da União Europeia relativo à adoção desta tecnologia pelas empresas entre 2021 e 2025, tornando-se o segundo país europeu com maior diferença entre grandes empresas e pequenas e médias empresas neste indicador.

Relativamente ao investimento em Defesa, a análise refere que apenas cerca de dois terços da despesa reportada por Portugal à NATO como correspondente a 2% do PIB foi executada pelo Ministério da Defesa Nacional, sendo o restante montante contabilizado por outras áreas governativas. O relatório defende que a capacidade de execução e a definição de prioridades estratégicas serão determinantes para avaliar o impacto deste esforço financeiro.

Na Educação, o estudo conclui que o programa de emergência destinado a responder à falta de professores não conseguiu resolver a escassez de docentes nas regiões mais afetadas, nem criar mecanismos eficazes para responder às ausências de curta e média duração. Os autores alertam ainda para o agravamento do problema nos próximos anos.

Já na área da ciência, o relatório manifesta reservas quanto à criação da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), considerando que a fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia com a Agência Nacional de Inovação poderá comprometer a produção científica, sem garantir um reforço da inovação nas empresas.

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