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O Alentejo Litoral é agora o destino nacional mais procurado pelos portugueses para as férias de verão, de acordo com o estudo "Férias dos Portugueses 2019-2026", desenvolvido pelo IPAM. A investigação, que compara os hábitos de férias ao longo dos últimos sete anos, mostra alterações nas preferências dos viajantes, nos orçamentos disponíveis e nas formas de planear as viagens.
Segundo os dados, 79% dos portugueses tencionam gozar férias este verão, abaixo dos 85% registados em 2019. No entanto, entre os que fazem férias, mantém-se nos 73% a proporção dos que saem da residência habitual, exatamente o mesmo valor de há sete anos.
Entre os destinos nacionais, o Alentejo Litoral surge na liderança, sendo escolhido por 60% dos inquiridos que passam férias em Portugal. O Algarve, que ocupava o primeiro lugar em 2019, desce de 48% para 30%, enquanto o Norte Litoral regista um crescimento, passando de 13% para 38%.
Portugal continua a ser o destino mais escolhido para as férias, embora a sua preferência tenha diminuído de 61% para 50% desde 2019. Em sentido contrário, a Europa reforça a sua atratividade, aumentando de 34% para 40%.
A praia continua a ser o principal critério na escolha do destino de férias, mas perdeu relevância, passando de 59% para 47% nos últimos sete anos. Em simultâneo, fatores como o preço e a oferta cultural ganharam maior importância entre os portugueses. Já a duração das férias permanece praticamente inalterada, com 57% dos inquiridos a optarem por duas semanas, face aos 58% registados em 2019.
O estudo indica ainda que o orçamento médio previsto para as férias de verão é de 750 euros por pessoa, cerca de 5% acima dos 712 euros registados em 2019. Apesar desse aumento, os dados apontam para uma maior contenção financeira: 43% dos inquiridos afirmam que irão gastar menos do que em 2025, outros 43% preveem manter o mesmo nível de despesa e apenas 14% admitem gastar mais.
O subsídio de férias continua a desempenhar um papel importante no financiamento deste período. Em 2026, 77% dos portugueses afirmam recorrer a este rendimento para suportar, total ou parcialmente, as despesas das férias. Entre estes, 47% utilizam apenas parte do subsídio, enquanto 30% dependem totalmente desse valor para pagar a viagem.
A digitalização do planeamento das férias também se destaca entre as principais mudanças identificadas pelo estudo. Atualmente, 86% dos portugueses pesquisam informação sobre férias na internet, quando em 2019 essa percentagem era de 67%. Pela primeira vez, a Inteligência Artificial surge como ferramenta de apoio ao planeamento das viagens, sendo utilizada por 21% dos inquiridos para procurar destinos, alojamento ou atividades.
As plataformas online consolidaram-se igualmente como o principal canal para efetuar reservas, sendo utilizadas por 64% dos participantes. No alojamento, o Alojamento Local e o Airbnb representam, em conjunto, metade das escolhas, enquanto os hotéis mantêm uma preferência semelhante à registada em 2019, com 29%.
Citada no estudo, Mafalda Ferreira, professora do IPAM e coordenadora da investigação, afirma que os resultados demonstram que "as férias continuam a ser encaradas pelos portugueses como um momento essencial de descanso e bem-estar". A responsável acrescenta que, apesar da maior contenção orçamental, verifica-se "uma adaptação dos comportamentos, com maior planeamento, maior recurso às ferramentas digitais e novas preferências ao nível dos destinos, tanto em Portugal como no estrangeiro".
O estudo "Férias dos Portugueses 2019-2026" foi realizado pelo IPAM-Porto entre 15 e 26 de junho de 2026, através de questionários online e presenciais aplicados a uma amostra de 450 pessoas com mais de 18 anos, permitindo comparar a evolução dos hábitos, dos orçamentos e das escolhas de férias dos portugueses desde 2019.
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