"Compre Europeu": a autonomia europeia na Defesa que não agrada aos aliados norte-americanos
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A administração do presidente Donald Trump alertou que poderá retaliar contra países europeus caso a União Europeia (UE) avance com a nova diretiva de aquisição de defesa, prevista para o terceiro trimestre de 2026, que pretende dar prioridade a fabricantes do continente. A informação, divulgada pelo Politico, reflete a crescente tensão entre Washington e Bruxelas em torno da autonomia estratégica europeia.
O Departamento de Defesa norte-americano classificou a proposta como “protecionista” e advertiu que a introdução de preferências europeias poderá desencadear medidas recíprocas, incluindo a revisão dos acordos bilaterais que permitem a empresas europeias concorrer a contratos do Pentágono, mecanismos atualmente em vigor em 19 dos 27 Estados-membros.
Embora Washington diga apoiar o reforço militar europeu e a revitalização da sua base industrial de defesa, considera que a cláusula poderá limitar a liberdade dos países nas compras de armamento, enfraquecer a NATO e comprometer os objetivos de capacidades militares acordados em 2025.
A retórica norte-americana surge, contudo, acompanhada de críticas internas à própria indústria de defesa dos EUA. Como escreve o "Le Monde", a 7 de janeiro, numa mensagem publicada na rede Truth Social, Trump acusou os fabricantes de armamento de distribuírem “dividendos colossais” e realizarem “recompras massivas de ações” em benefício dos acionistas, em detrimento do investimento em fábricas e equipamentos, criticando ainda remunerações de dirigentes que considerou “exorbitantes e injustificáveis”. As declarações revelam a pressão do presidente para que o setor aumente a capacidade produtiva, ao mesmo tempo que Washington procura preservar o acesso dessas empresas ao mercado europeu.
As críticas já tinham sido antecipadas pelo vice-secretário de Estado Christopher Landau, que, numa reunião à porta fechada em dezembro, censurou aliados por favorecerem a indústria europeia em detrimento de fornecedores norte-americanos. A posição foi reiterada num documento enviado à Comissão Europeia e divulgado pelo embaixador Andrew Puzder, no qual se afirma que a preferência europeia “seria um obstáculo aos esforços de rearme”, dificultaria o cumprimento das metas da NATO e contrariaria compromissos assumidos na Declaração Conjunta UE-EUA de 2025 sobre comércio e aquisições de defesa.
Os EUA avisam ainda que eventuais restrições ao acesso das suas empresas ao mercado europeu terão resposta equivalente. Apesar de a maioria do armamento adquirido pela Europa ser de origem norte-americana, fabricantes europeus, como a sueca Saab ou a italiana Leonardo, também vendem aos Estados Unidos, embora sujeitos às regras da Lei de Compra Americana, que obriga o Departamento de Defesa a privilegiar fornecedores nacionais.
Segundo dados do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (Sipri), quase dois terços (64%) das importações de armamento dos países europeus da NATO entre 2020 e 2024 provinham dos EUA, uma proporção consideravelmente superior aos 52% registados entre 2015 e 2019, cita o jornal espanhol El País. Entre os quatro maiores fornecedores restantes, apenas dois são europeus: França (6,5%) e Alemanha (4,7%), enquanto Coreia do Sul forneceu 6,5% e Israel 3,9%.
A Comissão Europeia tem procurado reduzir a dependência externa e aumentar a quota de armamento europeu nos arsenais do bloco, especialmente diante do risco de conflito com a Rússia. Projetos como o programa SAFE, que disponibiliza €150 mil milhões em empréstimos para armamento, e o financiamento de €90 mil milhões à Ucrânia exigem que pelo menos 65% do equipamento seja de origem europeia. A atualização da diretiva poderá incluir regras vinculativas que reforcem esta preferência europeia, tornando-se um teste à autonomia estratégica do bloco.
A tensão diplomática intensificou-se esta semana quando o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou em Bratislava: “Não queremos que a Europa dependa de nós; não estamos a pedir que a Europa seja um vasalo dos Estados Unidos" que levou a uma resposta irónica da conta oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês: “Parceiros fortes, sem dúvida, em vez de clientes financiados”, ilustrando o comentário com uma fotografia da declaração de Rubio.
O episódio evidencia o dilema central da política americana entre pressionar os europeus a investirem mais em defesa, mas sem comprometer os lucros das suas empresas de armamento e mantendo a influência geopolítica no continente. Ao mesmo tempo, reflete o esforço europeu para reforçar a autonomia estratégica e reduzir a dependência de Washington, num contexto de crescente desconfiança quanto à fiabilidade dos EUA como aliado.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
- 21:33
-
- 21:21
-
"Descontar sobre o povo americano". Reações de democratas e republicanos à nova tarifa de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados, depois do Supremo Tribunal ter rejeitado as anteriores tarifas. A medida suscitou críticas de políticos democratas, enquanto aliados republicanos defendem os impostos como
-
- 20:22
-
Vicente Valentim vence Prémio Stein Rokkan 2025 com livro sobre direita radical
O cientista político português Vicente Valentim venceu o Prémio Stein Rokkan 2025 de Investigação Comparativa em Ciências Sociais pelo livro O Fim da Vergonha – Como a Direita Radical se Normalizou. A obra foi destacada como uma contribuição essencial para compreender a ascensão da extrema-direita à
-
- 19:51
-
“Totalmente atípica”: especialistas e sindicatos dividem opiniões sobre nomeação de Luís Neves para MAI
A nomeação de Luís Neves como ministro da Administração Interna suscitou reações mistas entre sindicatos de polícia e especialistas em segurança, com elogios à sua experiência técnica mas dúvidas sobre a sua capacidade política.
-
- 19:25
-
"Um veneno para as economias". Alemanha e França criticam nova tarifa de Trump
O chanceler alemão, Friedrich Merz alertou para os riscos económicos das novas tarifas de importação de 15% anunciadas por Donald Trump, sublinhando que a incerteza constante sobre taxas comerciais prejudica tanto a Europa como os Estados Unidos.
-
- 18:46
-
PJ detém suspeito de tráfico internacional de droga no Aeroporto de Lisboa
A Polícia Judiciária deteve ontem um cidadão português de 40 anos, suspeito de integrar uma célula de uma rede internacional de tráfico de estupefacientes que operava principalmente no Porto de Leixões.
-
- 16:49
-
Trump sobe tarifa global para 15%, um dia depois de a ter fixado em 10%
O presidente dos EUA, que voltou a atacar os juízes do Supremo Tribunal, terá de alterar a ordem presidencial emitida esta sexta-feira
-
- 16:15
-
Partidos reagem à nomeação de Luís Neves para a Administração Interna
A nomeação de Luís Neves como ministro da Administração Interna está a gerar reações distintas entre os partidos, que convergem na exigência de respostas concretas para os problemas do setor, mas divergem nas leituras políticas da escolha.
-
- 14:54
-
Administradora da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde é mulher de chefe de gabinete de Pinto Luz
O Governo nomeou Isabel Baptista, mulher do chefe de gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, como administradora dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), empresa pública responsável por centralizar compras e logística do setor da saúde.
-
- 14:24
-
População afetada pela tempestade pode pagar a energia em prestações
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou medidas extraordinárias para apoiar os consumidores afetados pela tempestade Kristin, tornando obrigatório que os comercializadores disponibilizem planos de pagamento fracionado nas faturas de eletricidade e gás natural.
-
- 13:57
-
Embaixador americano em Israel considera "aceitável" ocupação do Médio Oriente por Israel
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, afirmou numa entrevista ao podcaster Tucker Carlson que seria “aceitável” se Israel ocupasse toda a região do Médio Oriente, ou pelo menos a maior parte dela, alegando um direito bíblico baseado nas promessas feitas a Abraão no Antigo Testamento.
-
- 13:03
-
Depois de Kristin, câmara de Lisboa está a oferecer lenha
Depois da passagem do furacão Kristin a Câmara Municipal de Lisboa cortou as árvores caídas ou que se encontravam em risco de queda. Agora quer partilhar com a comunidade o resultado desses cortes.
-
- 12:00
-
PSP captura suspeito de atropelamento e fuga no Chiado
Na noite de sexta-feira, um atropelamento na Rua Nova da Trindade, no Chiado, Lisboa, fez cinco vítimas, das quais três foram hospitalizadas.
-
- 11:14
-
Automóveis. Se depois do recall não for à oficina, vai passar a chumbar na inspeção
A partir de 1 de março, os carros que tenham sido chamados pelas marcas para um “recall” isto é, para corrigir um defeito ou falha técnica, e que não tenham ido à oficina passam a chumbar automaticamente na inspeção periódica obrigatória.
-
- 10:08
-
Hungria pode bloquear fundos europeus para a Ucrânia
A União Europeia enfrenta um impasse na aprovação de um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, depois de a Hungria ter ameaçado bloquear o acordo até que seja retomado o fluxo de petróleo russo através do oleoduto Druzhba pipeline.
-
- 09:11
-
Desafiar a história. É imoral vender artefactos da escravatura no século XXI?
Um leilão de antiguidades na Escócia está a ser acusado de “lucrar com a escravatura” por pôr à venda correntes associadas à escravização de africanos em Zanzibar.
-
- 08:48
-
Trump considera ataque controlado no Irão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está a considerar um ataque militar limitado contra o Irão para pressionar os seus líderes a aceitarem um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano.
-
- 08:13
-
Governo britânico não quer André na linha de sucessão
O Governo britânico está a ponderar apresentar legislação para retirar Andrew Mountbatten-Windsor da linha de sucessão ao trono. O ministro da Defesa, Luke Pollard, disse à BBC que esta seria “a decisão certa”, independentemente do desfecho da investigação policial.
-