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Com uma campanha marcada pela discrição e pelo foco nos valores e problemas do país, inspirada na primeira eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, Seguro foi evitando polémicas, selfies e excessos. Com uma campanha à moda antiga chegou ao fim vitorioso, prometendo ser o "presidente dos novos tempos", num discurso de vitória marcado pelo institucionalismo, união e esperança. Lembrando que esta é apenas uma batalha ganha.

Além da conquista do voto útil à esquerda e do voto do centro teve a capacidade de ir conquistando gradualmente o apoio de setores do PS, incluindo figuras como Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues e Duarte Cordeiro, que tinham sido críticos ou opositores internos, apoios decisivos para consolidar a sua candidatura como a representação mais consistente da esquerda democrática.

Foi essa confiança na origem dispersa dos votos que o fez lembrar no discurso de vitória a independência da candidatura. "Sou livre, não tenho amarras". Sublinhando que recebeu votos de todos os quadrantes políticos, reforçando a “natureza suprapartidária” da sua candidatura. E, concluindo, que é com essa liberdade que promete agir como Presidente.

António José Seguro.  Um homem discreto num partido de megafones
António José Seguro. Um homem discreto num partido de megafones
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De voz rouca, depois de ter corrido o país de lés-a-lés, de ter ido às comunidades e de ter falado com toda a gente que consigo se cruzou, escolheu as Caldas da Rainha, terra onde vive, onde promete continuar a viver se vencer eleições e onde, esta noite, foi recebido com grande entusiasmo, aplausos e cânticos.

Seguro fez a sua campanha à semelhança daquelas que organizou quando ainda estava na política ativa e que agora o fez vencer no regresso à política e à estrada naquelas que foram as eleições mais participadas dos últimos 20 anos. Sem nunca largar a imagem de candidato institucional, discreto e metódico.

Na intervenção, agradeceu a todos os eleitores e colaboradores, prometendo honrar o voto e a confiança, defender a Constituição e promover um país inclusivo e democrático. Apelou a todos os democratas, humanistas e progressistas para se juntarem à sua campanha, combatendo o extremismo e o ódio.

O candidato comprometeu-se a ser Presidente de todos os portugueses, a trabalhar para melhorar a vida das pessoas, porque "a política ou serve para melhorar a vida das pessoas ou então não serve para absolutamente nada."

Rumo à segunda volta

No discurso de vitória, afirmou que “venceu a democracia” e que “voltará a ganhar a 8 de Fevereiro”, defendeu um Portugal inclusivo, respeitador das liberdades, e prometeu ser “o Presidente de todos os portugueses”, leal à Constituição.

Para a segunda volta, garantiu que manterá a mesma linha estratégica, sem agressividade e sem contaminação partidária, reforçando que “em democracia nada está garantido” e que será necessário “trabalhar muito” para vencer.

Manterá, garante, na campanha e na presidência, a saúde como prioridade central, bem como o combate à pobreza, às desigualdades entre homens e mulheres e à falta de habitação, sobretudo para os jovens. “Estou pronto para ser o Presidente dos novos tempos”, promete.

Sobre o adversário da segunda volta, André Ventura, foi claro ao afirmar que há entre os dois "um oceano de diferenças”.  Contudo, e mantendo a linha no discurso, disse que fará tudo para manter relações institucionais estáveis durante a campanha.

Concluiu apelando à união dos democratas nas próximas semanas, pedindo que a campanha seja “uma festa da liberdade e da democracia” e defendendo que a sua vitória na segunda volta será “a vitória de Portugal, da liberdade e da democracia”.

O homem que a esquerda não queria, uniu a esquerda

No encerramento das campanhas, os líderes da esquerda destacaram a importância de um voto útil e de preservar os valores democráticos. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, considerou Seguro o “grande vencedor da noite” e apelou à união dos democratas, sociais-democratas e democratas-cristãos em torno do candidato para a segunda volta, frente a André Ventura. Apesar de algumas resistências internas e críticas por posições ambíguas, Seguro manteve apoio dentro do partido e de antigos aliados, sendo visto como independente e ético.

Rui Tavares, co-porta-voz do Livre, apelou à direita para que “metam a mão na consciência” e apoiem um candidato democrata na segunda volta, referindo António José Seguro como esse candidato. Criticou Marques Mendes e Luís Montenegro por recusarem tomar posição, destacando que não escolher entre um político europeísta e um aliado de Donald Trump é uma posição “não à altura”.

Jorge Pinto anunciou que, apesar de não ter obtido os resultados desejados e de ficar atrás de Manuel João Vieira, irá apoiar Seguro na segunda volta. Frisou que a escolha será entre “alguém que se revê na Constituição e alguém que se opõe a ela”.

Também Catarina Martins apelou ao voto em Seguro, alertando para a radicalização da direita e considerando que a única forma de a combater é votar no candidato democrata.

O PCP, através de António Filipe, reforçou este apelo, defendendo um voto contra André Ventura e destacando que muitos eleitores da esquerda votaram em Seguro para evitar a vitória de um candidato da extrema-direita.

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