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O encontro em Paris entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, destacou o apoio contínuo da França à Ucrânia e reforçou a importância de garantias de segurança e negociações de paz com a Rússia, num momento considerado potencialmente decisivo.
Em conferência de imprensa conjunta, Macron sublinhou o apoio total da França à Ucrânia e alertou que,
“num momento em que falamos de paz, a Rússia continua a matar e a destruir”. O presidente francês elogiou os esforços dos Estados Unidos para acabar com a guerra, mas insistiu que “quando se fala de paz, todos têm um papel a desempenhar”.
Decisões sobre território e garantias de segurança
Macron reforçou que só a Ucrânia pode decidir sobre o seu território. As futuras garantias de segurança, acrescentou, não podem ser discutidas sem a presença dos ucranianos, dos europeus e da chamada “Coalition of the Willing”, uma vez que qualquer alteração afetaria diretamente a segurança do continente, revela o The Guardian.
Nos próximos dias, disse Macron, haverá novas discussões essenciais entre os EUA e a coligação internacional para clarificar o papel americano nas futuras garantias de segurança. O presidente dos Estados Unidos afirmou que existe “uma boa hipótese” de conseguir um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, ainda que os seus negociadores tenham “muito trabalho pela frente”.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, desloca-se ao Kremlin esta terça-feira para um encontro com Vladimir Putin, confirmou Moscovo. A viagem surge depois de a administração norte-americana ter classificado como “muito produtivas” as conversações realizadas no domingo com representantes ucranianos.
Prioridades de Kiev e pressão sobre a Rússia
Zelensky reiterou que as prioridades da Ucrânia permanecem a segurança, a soberania e a integridade territorial, e sublinhou que a Rússia não deve ser recompensada pela sua agressão. Quanto às alegadas vitórias militares de Moscovo, considerou-as exageradas.
Macron acrescentou que as recentes sanções europeias, incluindo restrições ao petróleo, gás e à frota fantasma russa, representam a maior pressão económica sobre a Rússia desde o início da guerra, podendo ser decisivas para alterar a capacidade de Moscovo financiar o conflito.
Sobre a utilização de ativos russos congelados para financiar a Ucrânia e a oposição belga ao empréstimo de reparações da UE, Macron mostrou-se confiante em encontrar soluções técnicas que satisfaçam todas as questões legítimas.
Integridade e comparações com a Rússia
Questionado sobre investigações de corrupção na Ucrânia, incluindo o caso de Andriy Yermak, antigo assessor próximo de Zelensky, Macron afirmou que a UE acompanha os processos de perto e destacou que a evolução das investigações demonstra que as autoridades ucranianas atuam de forma independente. Salientou ainda o contraste com a forma como alegações semelhantes são tratadas na Rússia.
Continuidade dos esforços de paz
Macron lembrou que, ao longo de 2025, a Ucrânia se mostrou aberta a várias propostas de cessar-fogo e fim da guerra, bloqueadas repetidamente pela Rússia. Zelensky indicou que irá receber um relatório completo sobre as últimas negociações, que guiará os próximos passos do seu país.
O presidente ucraniano mencionou ainda que continua à procura de um substituto para Yermak à frente do seu gabinete, assegurando que há candidatos competentes.
Macron concluiu a conferência reafirmando que a França continuará a apoiar todos os esforços de paz e a resistência ucraniana, enquanto a guerra prosseguir.
Enquanto Paris se tornava o foco da diplomacia, Berlim recebeu o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro polaco Donald Tusk, que procuraram apresentar um sinal de unidade perante a pressão crescente para definir uma estratégia comum rumo à paz.
Merz rejeitou qualquer solução que surgisse como uma “paz ditada” à Ucrânia e defendeu coordenação reforçada entre parceiros europeus. Sublinhou igualmente a importância de continuar a apoiar Kiev contra o “agressor russo”, mantendo a coesão transatlântica e explorando mecanismos financeiros como a utilização de ativos russos congelados.
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