"Rejeitamos qualquer política imposta, mas estamos dispostos a participar num processo diplomático significativo, lógico e justo", afirmou o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, após conversações em Istambul com o homólogo turco, Hakan Fidan. Araghchi sublinhou que Teerão está pronta para retomar as negociações "sempre que sejam plenamente atendidos os seus interesses legítimos e preocupações legais".
O ministro turco considerou essencial que Washington e Teerão retomem o diálogo num momento de elevada tensão, face às ameaças norte-americanas de um ataque contra o Irão. "A retoma das negociações sobre o nuclear é vital para acalmar as tensões regionais", disse Fidan, salientando que o diálogo poderá abrir caminho ao levantamento das sanções impostas ao Irão.
A visita de Araghchi a Istambul surge numa tentativa de evitar uma intervenção militar dos Estados Unidos, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou na sequência da repressão de manifestações internas no Irão, que terão causado mais de seis mil mortos, segundo organizações de direitos humanos.
A Turquia, que partilha uma fronteira de 550 quilómetros com o Irão, ofereceu-se para mediar o processo durante uma conversa telefónica entre os presidentes Recep Tayyip Erdoğan e Masoud Pezeshkian. Erdoğan afirmou que Ancara está pronta "para desempenhar um papel de facilitador" para "acalmar as tensões e resolver os problemas". Por sua vez, Pezeshkian defendeu que as ameaças norte-americanas devem cessar para dar uma oportunidade à diplomacia, sublinhando que "o êxito de qualquer iniciativa depende da boa vontade das partes e do abandono de ações belicosas na região".
Durante a conferência de imprensa conjunta, Fidan apelou ainda a Washington para resistir à pressão de Israel para atacar o Irão. "Constatamos que Israel tenta persuadir os Estados Unidos a lançar um ataque militar contra o Irão. Esperamos que a administração norte-americana dê provas de bom senso", declarou.
Trump, por seu lado, afirmou recentemente esperar não ter de recorrer a um ataque, enquanto Teerão ameaçou responder imediatamente contra bases e porta-aviões norte-americanos em caso de agressão.
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