A elevada procura para ver os pandas obrigou o jardim zoológico de Ueno, em Tóquio, a implementar um sistema de lotaria, permitindo a entrada dos visitantes em pequenos grupos e por apenas alguns minutos. Xiao Xiao e Lei Lei, pandas gémeos nascidos no Japão, regressarão à China na terça-feira, segundo avançou o jornal japonês Asahi Shimbun.

A possibilidade de envio de novos pandas para o Japão permanece incerta, numa altura em que as relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de tensão. Em causa estão declarações feitas no Parlamento japonês pela primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, que terão colocado em dúvida a continuidade da cooperação no âmbito da chamada "diplomacia do panda".

Questionado na semana passada sobre uma eventual prorrogação do acordo de cessão ou o envio de novos exemplares para o Japão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, recusou-se a prestar esclarecimentos definitivos. Pequim limitou-se a incentivar os fãs japoneses a deslocarem-se à China para continuarem a ver os animais.

A China utiliza há décadas os empréstimos de pandas como instrumento de diplomacia cultural, mantendo sempre a propriedade dos animais e um controlo quase total sobre esta espécie a nível mundial, com a exceção de um exemplar, Xin Xin, que vive no México. No Japão, esta prática teve início em 1972, após a normalização das relações diplomáticas entre os dois países.

Desde então, o arquipélago acolheu e criou mais de vinte pandas, gerando grande entusiasmo popular e impactos económicos significativos. Só no jardim zoológico de Ueno, estima-se que Xiao Xiao e Lei Lei tenham gerado um impacto económico superior a 30 mil milhões de ienes, cerca de 166 milhões de euros, no primeiro ano após a sua apresentação ao público, em 2021.