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Donald Trump está inquieto com o que pode acontecer nas eleições intercalares (as midterm) de 3 de novembro. Os eleitores norte-americanos irão às urnas para uma reeleição parcial do Congresso: as sondagens apontam derrota dos republicanos na Câmara dos Representantes e duelo eleitoral renhido para o Senado.
A desaprovação da presidência Trump está a aumentar, vai nos 54,2%. Cresceu 11 pontos percentuais num ano. Em novembro, a grande maioria dos eleitores — segundo o New York Times — vai votar com a economia como critério base, e 70% — regista a trumpiana Fox News — tem queixas: o presidente "não está a dedicar tempo suficiente" ao nível de vida das pessoas.
Apenas dois em cada dez eleitores aplaudem Trump na economia, e isso explica que 45% estejam pessimistas: "a situação do país vai piorar". Para um presidente que fez do combate à inflação o seu principal foco nas eleições de 2024, isto significa ter de lidar com realidade negativa: o emprego não está a crescer (a utilização de inteligência artificial nas empresas gera baixa do emprego) e o efeito das tarifas ainda pouco se sente. Trump está a contar que o novo presidente da Reserva Federal (FED), Kevin Warsh, decida a baixa das taxas de juro que o atual, Jerome Powell, recusa com intransigência por considerar que essa é uma política danosa.
Os Democratas tiram partido do desagrado pelo elevado custo de vida.
As questões económicas são determinantes, mas há fartos motivos para mal-estar mesmo entre os eleitores republicanos, também entre os independentes que, geralmente são quem decide as eleições. A violência dos agentes do ICE às ordens de Trump está a ser questionada.
O caso Jeffrey Epstein está a pôr em causa a confiança no sistema de poder nos Estados Unidos e abala Trump. Sete anos depois da morte de Epstein na cadeia, num suicídio que suscita muitas questões, o fantasma dele paira sobre Washington e muitos outros lugares. A primeira acusação de pedofilia dirigida a Epstein vem de 2006.
Vinte anos depois e após incalculável número de incidentes judiciários, o Congresso dos EUA, com quase unanimidade de Republicanos e Democratas, votou uma lei que impõe toda a transparência sobre o caso – também vincula a justiça. Ficou assim definido o encargo de três requisitos: investigar com profundidade e clareza toda a rede de Epstein – envolve apurar as relações com Trump -, proteger a identidade das vítimas e fazer os acusados responder perante a justiça. Tudo está por fazer.
Os documentos publicados por imposição do Congresso ainda estão incompletos; os nomes e as fotos de jovens anónimos foram propagados descuidadamente para o mundo, enquanto a imagem do presidente foi cuidadosamente ocultada. Embora a divulgação parcial dos arquivos de Epstein não tenha poupado muitas elites globais, nomeadamente as europeias, as consequências ainda estão voláteis nos Estados Unidos.
O desagrado entre a cidadania americana é assunto que conta. Mas toda esta condução do caso era previsível, numa administração onde o Departamento de Justiça parece agora existir principalmente para atingir objetivos políticos.
Enquanto os manifestantes do Capitólio são aclamados como heróis patriotas e as autoridades americanas investem consideráveis recursos na investigação da teoria fantasiosa de uma eleição "roubada" em 2020, a ideia de que uma transparência genuína pudesse ser estabelecida num caso em que o nome do Commander in chief aparece milhares de vezes não passava de uma ilusão.
Os eleitores, mesmo muitos republicanos, sentem esse mal-estar.
O que é que estará a passar pela cabeça de Trump em tentativa para inverter este quadro desfavorável, de modo a escapar a ficar refém dos democratas nos dois anos finais do segundo mandato dele, com o risco de paralisia política? É de esperar mudança na agenda. Vai forçar a descida das taxas de juro. Já está a moderar os modos de atuação do ICE. Há-de estar a ponderar vantagens e desvantagens eleitorais de qualquer intervenção no Iraque ou em Cuba. E que mais?
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