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A decisão surge em resposta à repressão violenta dos protestos no Irão, que se estima ter já provocado dezenas de milhares de mortos. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que “a repressão não pode ficar sem resposta” e declarou que “qualquer regime que mata milhares do seu próprio povo está a trabalhar para a sua própria queda”.
A eurodeputada Hannah Neumann sublinhou, ao The Guardian, que a decisão tem efeitos legais concretos, incluindo congelamento de bens e criminalização de qualquer apoio financeiro ou material ao IRGC.
Além da designação do IRGC, a UE sancionou mais 15 responsáveis iranianos e seis entidades, incluindo o ministro do Interior, comandantes do IRGC, forças policiais e entidades ligadas à censura digital, desinformação e interrupções da internet.
No total, a UE já sancionou 247 indivíduos e 50 entidades iranianas por violações de direitos humanos. A decisão só foi possível depois de França e Bélgica abandonarem as suas reservas, que se prendiam com receios diplomáticos e a segurança de cidadãos europeus no Irão. Teerão reagiu com dureza, classificando a decisão como um “erro estratégico grave”, e acusou a Europa de “alimentar o fogo” num momento de risco de guerra regional.
Esta classificação acontece num contexto é de escalada militar e diplomática entre os EUA e o Irão. Donald Trump voltou a ameaçar ataques militares, ligando-os agora explicitamente ao programa nuclear iraniano, depois de já ter invocado a repressão dos protestos. Segundo Trump, uma “armada massiva” estaria pronta para agir caso o Irão não negocie. Ao mesmo tempo, Israel e Arábia Saudita participaram em reuniões em Washington; a Rússia alertou contra qualquer ação militar “desestabilizadora”; e os Estados do Golfo recusam ceder espaço aéreo para ataques.
A Turquia assumiu um papel central de mediação. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, desloca-se a Ancara, e Erdoğan propôs até uma videoconferência Trump–Pezeshkian, ideia pouco aceite em Teerão. Os EUA exigem quatro pontos principais: entrega do urânio altamente enriquecido, fim do enriquecimento interno, limites ao programa de mísseis e fim do apoio a grupos aliados. Todas estas exigências são consideradas politicamente quase impossíveis para o regime iraniano aceitar.
Dentro do Irão, o país está profundamente polarizado, entre apelos à resistência total e vozes que exigem a queda do regime. Antigos líderes reformistas falam já num referendo constitucional, defendendo princípios de não interferência estrangeira, rejeição da tirania doméstica e transição democrática pacífica.
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