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A nova tendência passa por substituir escolhas rápidas baseadas em fotografias por perfis construídos com dados emocionais e relacionais, abrindo caminho a conexões mais genuínas e duradouras.
Esta é uma ideia que tem vindo a ser defendida pela fundadora do Bumble. Whitney Wolfe Herd passou quase toda a sua vida profissional no negócio das apps de encontros e acredita que a inteligência artificial pode ser o cupido de que todos precisamos. Tem até uma confissão: “Nunca teria dado um “swipe right” ao perfil do meu marido.”
Numa entrevista ao The Wall Street Journal, a CEO da famosa app de encontros afirmou que acredita que muitos casais felizes provavelmente não se encontrariam se tudo dependesse apenas de uma fotografia e de uma lista de critérios. “Não conseguimos articular aquilo de que realmente precisamos numa relação”, defende Wolfe Herd, que está casada há oito anos e se prepara para ter o terceiro filho.
A empreendedora, que ajudou a construir o chamado “complexo industrial das apps de encontros” como cofundadora do Tinder e fundadora do Bumble, acredita que a inteligência artificial pode ser o cupido que faltava. Desde que regressou ao Bumble em março, depois de se afastar do cargo de CEO no final de 2023, Wolfe Herd lidera um projeto secreto para desenvolver uma nova app de encontros potenciada por IA, baseada nesta questão: e se a inteligência artificial nos conseguisse compreender melhor do que nós próprios?
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“O cupido com maior inteligência emocional do mundo”
Wolfe Herd e uma equipa do Bumble têm consultado psicólogos e terapeutas de casais para programar uma IA especializada em compatibilidade amorosa. O objetivo é lançar este outono uma versão beta da aplicação (separada do atual Bumble) para um grupo restrito de utilizadores.
O plano é criar “o cupido mais inteligente e emocionalmente desenvolvido do mundo”, disse Wolfe Herd numa entrevista em agosto, no Colorado.
A nova aplicação quer inverter a lógica do “swipe”. Em vez de se basear em fotografias, vai criar perfis personalizados a partir de respostas a perguntas sobre relações passadas, rupturas e experiências no amor. Um dos exemplos possíveis: “Na medida em que se sentir confortável, o que foi mais doloroso na sua última separação e que não gostaria de repetir numa futura relação?”
O sistema será baseado num grande modelo de linguagem, um tipo de IA generativa capaz de interagir de forma natural com os utilizadores. Uma das principais bases teóricas será a teoria da vinculação amorosa, que defende que os estilos de relacionamento derivam das primeiras ligações afetivas da nossa vida.
Ainda não está definido quantos matches a aplicação irá gerar, nem a estratégia de monetização, embora uma das hipóteses seja cobrar por cada correspondência. Quando totalmente funcional, a IA deverá conhecer o utilizador ao longo de várias sessões, criar um perfil, encontrar potenciais parceiros e até reservar restaurantes para encontros.
Wolfe Herd não é a única a acreditar que a IA poderá transformar os encontros online. Em junho, num evento em São Francisco, Mike Krieger, cofundador do Instagram e atual diretor de produto da Anthropic, afirmou que gostava que houvesse uma app de encontros construída com recurso a IA.
Gen Z farta de “swipe”?
Uma sondagem da Forbes Health revelou que 79% da Geração Z está farta das aplicações de namoro. As razões incluem a falta de ligações genuínas, rejeições frequentes, matches falsos e fenómenos como o ghosting.
As pessoas interrogadas consideram que as apps de encontros prometem conexões fáceis, mas a realidade traz muitos elementos frustrantes que acabam por destruir a experiência.
Por cá…
Existe uma startup portuguesa chamada Eight que quer que se “conheça pessoas e não perfis”. Para isso, criaram uma versão de speed dating em formato vídeo.
O objetivo é que as pessoas se conectem frente a frente através de breves apresentações em vídeo e chamadas em direto. No fundo, cada pessoa passa a vir com um “trailer”, para evitar surpresas.
A parte curiosa é que a aplicação só funciona entre as 20h00 e as 21h00.
A propósito
Estreia esta sexta-feira o filme “Swiped”, baseado na vida de Whitney Wolfe Herd, fundadora e CEO do Bumble. Escrito e realizado por Rachel Lee Goldenberg, o drama conta com Lily James no papel principal, ao lado de Dan Stevens, Myha’la e Jackson White.
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