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Natural de Thunder Bay, no norte do Ontário, Ryan Wedding desenvolveu desde cedo competências técnicas de alto nível no snowboard, treinando nas pistas da estância de esqui Mount Baldy, propriedade dos seus avós. Esta formação permitiu-lhe competir internacionalmente, incluindo nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, onde, apesar da dedicação e habilidade, falhou o pódio devido a um percurso particularmente difícil, conta o The Guardian.

Após a desilusão olímpica, a sua vida seguiu um rumo diferente. Trabalhou como porteiro em clubes noturnos, intensificou a sua preparação física e passou a investir em imóveis e veículos de luxo. O seu estilo pessoal passou a refletir influências associadas a círculos próximos de crime organizado.

Em 2006, Wedding surgiu num mandado de busca ligado a uma plantação de marijuana na Colúmbia Britânica, mas nunca chegou a ser acusado. Em 2010, foi condenado por conspiração para distribuição de cocaína, depois de tentar adquirir droga através de um agente do governo norte-americano, cumprindo quatro anos de prisão. Esta pena impediu-o de competir nos Jogos de Vancouver em 2010.

As autoridades norte-americanas alegam que, durante e após a prisão, Wedding construiu uma rede de contactos no tráfico internacional. Um episódio de destaque ocorreu em Medellín, na Colômbia, onde Jonathan Acebedo-García, cidadão canadiano e antigo aliado de Wedding, foi morto num restaurante. Acebedo-García havia trabalhado com Wedding após ambos saírem de uma prisão no Texas, mas tornou-se informador do FBI, o que terá motivado o homicídio.

Segundo a acusação, Wedding terá usado um blogue canadiano, The Dirty Newz, para localizar Acebedo-García e a sua esposa, antes de o alvo ser seguido e assassinado à luz do dia. O crime é apenas o mais recente de uma série de homicídios alegadamente ordenados por Wedding, incluindo assassinatos no Canadá relacionados com dívidas de droga e rivalidades no tráfico.

Na sexta-feira, as principais autoridades policiais dos EUA anunciaram a prisão de Wedding.

Durante anos, Wedding terá permanecido foragido no México, sob a alegada proteção do cartel de Sinaloa. A recompensa pela sua captura chegou aos 15 milhões de dólares, valor habitualmente reservado a grandes líderes de organizações criminosas internacionais.

O diretor do FBI, Kash Patel, comparou Wedding a figuras históricas do narcotráfico como Pablo Escobar e El Chapo Guzmán. Contudo, especialistas mexicanos consideram estas comparações exageradas, salientando que não há indícios de que Wedding controlasse território, milícias armadas ou tivesse influência política significativa.

Além disso, os números avançados pelas autoridades norte-americanas sobre o volume de cocaína traficado não constam formalmente da acusação judicial, que menciona apenas quantidades relativamente pequenas em cada operação.

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