A desorganização surge numa semana particularmente crítica para o sistema ferroviário, na sequência do acidente mortal ocorrido na terça-feira em Gelida, onde um maquinista morreu e cerca de 40 pessoas ficaram feridas após o desprendimento de um muro de contenção sobre a via. Na sexta-feira, um novo deslizamento obrigou à interrupção parcial, agravando a crise.

Durante a madrugada, a Generalitat chegou a anunciar a suspensão total dos serviços, alegando que Renfe e Adif tinham comunicado a sua incapacidade para operar toda a rede de Rodalies e Regionais. No entanto, horas depois, a circulação foi retomada de forma parcial, sem informação clara aos passageiros e com fortes restrições, incluindo a activação de autocarros de substituição.

A Renfe garante ter trabalhado durante toda a noite para restabelecer o serviço, após uma reunião prolongada entre as várias entidades ter decidido suspender os comboios para avaliar pontos de risco de novos desprendimentos. Pelas 7h00, foi autorizada a retoma limitada da circulação. O diretor de Relações Institucionais da Renfe, Antonio Carmona, pediu desculpa aos utilizadores e afirmou que a empresa está a trabalhar para "recuperar a confiança" dos passageiros.

Ao longo do dia decorrem "revisões exaustivas" da infraestrutura ferroviária, com engenheiros geotécnicos a avaliar a estabilidade do terreno, num contexto de novas previsões de chuva intensa na região. Estas inspeções foram uma exigência dos maquinistas, que alertam há meses para problemas de segurança em vários troços da rede.

A situação levou também a protestos. Na sexta-feira à tarde, dezenas de maquinistas concentraram-se na estação de Sants, em Barcelona, acusando a Adif, a Renfe e a Generalitat de tentarem manter a circulação apesar dos riscos existentes. Os trabalhadores denunciam a degradação da infraestrutura e exigem garantias de segurança antes da normalização do serviço.