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“Cocktail de Cortisol” é o nome de uma bebida sem álcool que contém uma mistura de água de coco, sumo de citrinos e alguns sais. Este truque de bem-estar viralizou no Tiktok e Instagram, os influencers afirmam que diminui o stress, dá energia e equilibra a função das glândulas suprarrenais, segundo a CNN.
Também denominado de “Cocktail Adrenal”, numa referência às glândulas suprarrenais ou adrenais que desempenham um papel importante na produção de diferentes hormonas que regulam funções corporais, entre elas o cortisol, um dos responsáveis pela resposta do corpo ao stress.
Nos Estados Unidos, o cocktail viral surge como resposta ao aumento dos níveis de stress que quase metade dos norte-americanos refere sofrer, segundo o inquérito Gallup 2024.
Em Portugal, de acordo com a Marktest, em 2024, cerca de 2,2 milhões de portugueses (29,6% da população entre os 15 e os 74 anos) reportaram sintomas de stress ou ansiedade. O número quase duplicou desde o período pré-pandemia, passando de 16,5% em 2019, para 30,3% em 2021. Embora tenha havido uma ligeira descida nos últimos dois anos, os valores continuam muito acima do registado em 2019.
Mas será este cocktail a solução para o stress? A endocrinologista Joana Menezes Nunes explica ao 24notícias que "os promotores desta mistura atribuem-lhe a capacidade de reduzir os efeitos do cortisol, regular hormonas relacionadas com o stress e melhorar os níveis de energia. No entanto, não existem estudos clínicos, isto é, evidência científica validada que comprove estas alegações específicas, pelo que se deve encarar esta prática com cautela e espírito crítico".
Joana Menezes Nunes diz ainda ainda não ter identificado uma procura significativa pelo “cocktail de cortisol” no contexto clínico português. No entanto, nota “um crescente interesse de alguns pacientes em estratégias de suplementação ou em alternativas nutricionais divulgadas nas redes sociais”, o que reforça a necessidade de informação científica clara. E os dados confirmam essa informação, desde 2013, a venda de produtos como multivitaminas e estimulantes cognitivos cresceu 90% em Portugal, segundo dados divulgados pela CNN.
Para a médica, a ideia de que a regulação hormonal pode ser alcançada apenas através de suplementos é enganadora, “a regulação hormonal é um processo complexo e não pode ser corrigido apenas com suplementação, exceto em casos muito específicos, devidamente documentados e acompanhados por profissionais de saúde.”
A melhor abordagem, de acordo com a endocrinologista, para eventuais desequilíbrios hormonais passa por uma avaliação clínica completa, incluindo antecedentes pessoais e familiares, sinais e sintomas reportados, hábitos de vida e análises laboratoriais. Só após esta avaliação rigorosa se deve considerar uma intervenção, que pode envolver mudanças de estilo de vida, orientações nutricionais ou terapêutica farmacológica.
“Qualquer intervenção deve ser personalizada, baseada em evidência científica e acompanhada por um profissional de saúde qualificado”, acrescenta.
Na semana em que se celebra o dia internacional da literacia em saúde (8 de setembro), a médica refere que "precisamos de mais literacia em saúde" e explica que para diferenciar tendências virais de recomendações baseadas em evidência científica, importa estar atento ao processo de validação.
"Enquanto as tendências virais se baseiam em experiências individuais ou divulgação em massa através das redes sociais, por qualquer pessoa, independentemente do seu conhecimento, a prática médica, clínica, apoia-se em estudos científicos robustos. É essencial que os profissionais de saúde ajudem os pacientes a distinguir entre conteúdos de entretenimento digital e informação com validade científica".
*Edição por Ana Maria Pimentel
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