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Na fábula clássica da lebre e da tartaruga, a lebre tem tudo a seu favor para vencer facilmente a corrida e durante grande parte da história tem uma vantagem significativa sobre a sua rival. Mas no fim, contra todas as hipóteses, a paciência e consistência da tartaruga (juntamente com alguns erros da lebre) levam a que esta consiga alcançar a vitória.

Transpondo isto para o que tem vindo a acontecer na indústria tecnológica nos últimos anos, tudo indica que a lebre será a OpenAI e a tartaruga a Alphabet (dona da Google). A OpenAI deslumbrou tudo e todos com o lançamento do ChatGPT no final de 2022, angariou milhares de milhões de euros junto das grandes Big Tech (Microsoft, Amazon, NVIDIA por exemplo) e beneficiou do típico modus operandi de uma startup para “partir algumas paredes” e rapidamente alcançar uma receita anual de 20 mil milhões de dólares. Por algum tempo e apesar de alguns contratempos (a disputa interna que levou Sam Altman a afastar-se da empresa durante 5 dias), parecia inevitável que o novo mundo da inteligência artificial seria dominado pela OpenAI.

A própria Google parece ter acreditado nisso 

O sucesso do ChatGPT aparentava estar a impactar negativamente a o tráfego do seu motor de pesquisa e a sua primeira oferta de IA – o saudoso Bard – tinha falhado espetacularmente em criar algum entusiasmo junto do comumum utilizador de internet. Várias pessoas soaram alertas vermelhos e pressionaram botões de pânico, mas é importante lembrar que a Google não é uma “tartaruga” qualquer. Pode não se movimentar tão rápido, mas ser uma trillion dollar company, estar há mais tempo no mercado e ter um ecossistema forte ajudaram a empresa a organizar-se e a acelerar o passo.

Em 2025, a Alphabet ultrapassou os 400 mil milhões de dólares em receitas, que é mais do que o PIB português para colocar o valor em perspetiva. O lançamento do Gemini 3 no final do ano foi um sucesso estrondoso e os números indicam que na “Guerra da IA” está a ficar cada vez mais próxima da OpenAI:

  • Mais perto: De acordo com número divulgados pela Alphabet, o Gemini já tem cerca de 750 milhões de utilizadores ativos contra os 810 milhões do ChatGPT.
  • Melhores resultados: Os modelos de IA generativa como o Nano Banana Pro e o Veo parecem superar o Dall-E e o Sora.
  • Mais dados: Numa indústria onde todos pedem por mais, o ecossistema da Google parece dar-lhe mais ferramentas do que a OpenAI, para continuar a melhorar os seus produtos.

Por falar em ecossistema…

É fácil esquecer a dimensão da Google. O seu motor de pesquisa continua a ser a cash-cow com receitas anuais de publicidade em 2025 superiores a 110 mil milhões de dólares (e com algumas acusações de monopólio por parte dos reguladores americananos). O seu sistema operativo Android está em grande parte dos smartphones e tablets que utilizamos diariamente. O YouTube gerou 60 mil milhões de dólares em receita, superando a própria Netflix. E isto é só uma parte.

Na recente apresentação de resultados, a Alphabet deu destaque ao crescimento de 48% da sua unidade de Cloud nos últimos doze meses, que demonstrava o maior interesse de negócios em utilizar a sua infraestrutura de IA. No entanto, esta área representa atualmente “apenas” 18 mil milhões de dólares, o que na figura geral do grupo ainda é só residual.

Mas todos estes elementos se entreajudam. Todos estão ligados entre si e todos geram dados que permitem que as equipas da Google estejam a melhorar constantemente os seus modelos de IA, seja para criação de conteúdo, seja para otimização de audiência e garantir que a pessoa certa vê o anúncio certo. A OpenAI e a maior parte das suas rivais não têm propriamente isto.

Next steps

Em 2026, a Big Tech comprometeu-se a gastar 185 mil milhões de dólares em inteligência artificial: imaginemos data centers, reforço do seu serviço cloud, mais modelos de IA e, claro, as pessoas por detrás de cada uma desta divisões. Vários analistas apontam para o cenário de uma bolha semelhantes às dot-com ou, mais recentemente, às criptomoedas, mas a Google vê-se cada vez mais como a empresa que sai por cima e não como a que fica para trás.

  • Renovação da amizade: o Google já é o browser padrão do Safari, mas agora o Gemini vai ser a interface por detrás da próxima Siri, depois do acordo fechado com a Apple no valor de mil milhões de dólares por ano.

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