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De acordo com o Dicionário do Património Cultural Português, o cantar das Janeiras é uma prática tradicional associada à celebração da Epifania, comemorada a 6 de janeiro, data que assinala a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus.
Historicamente, as Janeiras combinam elementos religiosos e profanos. Do ponto de vista cristão, os cânticos servem para anunciar o nascimento de Jesus e celebrar a manifestação divina aos Reis Magos. Já do ponto de vista popular, funcionam como uma forma simbólica de marcar o início de um novo ciclo anual, com votos de prosperidade e abundância.
Segundo a definição clássica da tradição, os participantes esperam, ao terminar uma canção numa casa, que os residentes lhes ofereçam “as janeiras” — que podem ir desde frutos secos como castanhas e nozes até produtos tradicionais ou, mais recentemente, chocolates e dinheiro.
Relação com o Dia de Reis
O período em que esta tradição ocorre — entre 1 e 6 de janeiro — coincide com a celebração cristã da Epifania ou Dia de Reis, quando, segundo o cristianismo, os Três Reis Magos visitaram o Menino Jesus em Belém.
Em algumas tradições populares portuguesas semelhantes, como o Cantar dos Reis ou Reisadas, grupos também entoam cantigas relacionadas com essa visita e com loas religiosas, em ocasiões muito próximas ou sobrepostas às Janeiras.
Supõe-se que esta tradição está relacionada com cultos pagãos, desenrolando-se no mês do deus romano Jano, de Janua, que significa Porta, Entrada. Esta figura da mitologia romana, representada com duas caras, encontra-se fortemente ligada à ideia de entrada, mas muito em especial, à noção de transição, de conhecimento do passado e do futuro.
A origem da tradição de cantar as Janeiras não se pode, contudo, dissociar-se da penúria em que as pessoas viviam encontrando nesta, e noutras manifestações semelhantes, a forma de obterem uma dádiva, principalmente vinho e alimentos dos senhores abastados, sem que com isso se sentissem humilhadas.
Por isto, cantavam as Janeiras num misto de religiosidade, atendendo à época em que são cantadas, e de ironia e mordacidade sempre com um apelo à dádiva de comes e bebes. No decorrer das cantorias eram invocados os nomes do dono e da dona da casa, e de alguma outra figura que tivesse preponderância familiar.
Vivência atual
Apesar das grandes cidades nem sempre manterem a prática de cantar de porta em porta, iniciativas municipais e escolares continuam a promover o canto das Janeiras como um momento de convívio, identidade cultural e partilha comunitária. Grupos folclóricos, coro infantis e associações culturais juntam-se para celebrar a tradição com música, alegria e participação de toda a comunidade.
Em muitos casos, eventos públicos organizados por câmaras municipais ou coletividades têm mantido viva esta tradição secular, reforçando o seu papel como uma das expressões culturais mais genuínas do período festivo português.
A tradição do cantar das Janeiras chegou também ao mais alto cargo da nação. Todos os anos, no início de janeiro, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe no Palácio de Belém grupos de escolas, associações culturais, ranchos folclóricos e instituições sociais que ali se deslocam para cantar as Janeiras e apresentar votos de bom ano. A iniciativa, que se tornou recorrente desde o início do seu mandato, é divulgada oficialmente pela Presidência da República como um momento de proximidade entre o chefe de Estado e a sociedade civil.
Segundo informação publicada no site oficial da Presidência, estas receções incluem frequentemente crianças, idosos e representantes de coletividades culturais, reforçando o carácter simbólico das Janeiras enquanto expressão de identidade, partilha e continuidade cultural no início do ano.
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