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Quem nasce em Guimarães sabe que tem no seu sangue uma acrimónia com os bracarenses e quem em Braga nasce traz de berço o conflito com os vimaranenses. A rivalidade com Braga, conhecida como a “rivalidade minhota”, é secular. Começou em conflitos religiosos e políticos entre o condado de Guimarães e a Sé de Braga, agravando-se com disputas por direitos e impostos. E, claro, ao longo dos séculos, episódios históricos de antagonismo entre as duas cidades transferiram-se naturalmente para o desporto. A rivalidade é marcada por alcunhas: os vimaranenses chamam “marroquinos” aos bracarenses, e estes retribuem chamando “espanhóis” aos vitorianos, numa tradição que acompanha cânticos, provocações e debates apaixonados, tanto nas ruas como nas redes sociais.
No século XI, a região fazia parte do Condado Portucalense, um território vassalo do Reino de Leão, cuja capital administrativa era Guimarães. Era lá que residia a elite militar e política, incluindo D. Afonso Henriques, que mais tarde se tornaria o primeiro rei de Portugal, fazendo de Guimarães o berço do Estado português e símbolo do poder secular.
Por outro lado, Braga era a capital religiosa da região, com uma longa tradição como sede episcopal e depois arcebispado. O arcebispo de Braga detinha enorme poder político e económico, controlando terras, cobrando impostos e influenciando decisões do reino, o que fez da cidade um centro de prestígio e riqueza.
A rivalidade histórica entre as duas cidades surge desse choque entre poder secular e religioso, por um lado Guimarães representava a autoridade do conde e a futura independência do país, enquanto Braga simbolizava o prestígio e a influência do arcebispado.
Ora, Braga é uma das cidades mais antigas de Portugal, conhecida como a “Cidade dos Arcebispos”, e tem tradição como centro religioso e cultural, representando prestígio, riqueza histórica e influência eclesiástica. Guimarães, por outro lado, é o berço de Portugal, associada a D. Afonso Henriques e à formação da identidade nacional, o que lhe confere um orgulho baseado na história e no papel simbólico na criação do país. O facto de as duas cidades ficarem muito próximas, a cerca de 25 km, foi acentuando a competição por protagonismo regional, investimentos e prestígio
Esta quezília foi quente durante séculos e no século XIX, Guimarães tentou afastar-se do distrito de Braga e passar para o do Porto devido a desentendimentos administrativos. Até na banca, ambas as cidades tinham os seus próprios bancos privados, algo raro fora de Lisboa e Porto. Esta “má vizinhança” tornou-se parte da identidade local. Apesar de tensões históricas e desportivas, a rivalidade evoluiu e há iniciativas de aproximação, como corridas conjuntas e colaborações culturais, mostrando que é possível conciliar orgulho local com convivência pacífica.
Como a jornalista Mariana Pinheiro descreveu numa reportagem no jornal i o apelido “espanhóis” aos vimaranenses surgiu na década de 1990, quando, após derrotas contra o Braga e suspeitas de favorecimento do adversário, um adepto mais destemperado exibiu um cartaz com a frase: “Para sermos tratados assim, mais vale sermos espanhóis”. A reação foi imediata, e os bracarenses a ser conhecidos pelos rivais como “marroquinos”.
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