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Atualmente vivemos uma parte das interações sociais através de écrans. É uma transformação profunda no modo como comunicamos, as mensagens instantâneas, as redes sociais, as videochamadas, os áudios são centrais na comunicação. A comunicação tornou-se mais frequente, mas nem sempre mais significativa. Esta mudança convida à reflexão acerca de como a comunicação digital influencia/afeta/configura a empatia.

Importa compreender o impacto desta transformação, COMO SENTIMOS O OUTRO.

A empatia é a capacidade de reconhecer o estado emocional de outra pessoa, compreender e agir de forma adequada a essa experiência. A empatia pode ser diminuída ou distorcida por alguns fatores, nomeadamente, exaustão emocional, distanciamento social (o anonimato social, por exemplo) ou fadiga empática (pode ser comum em profissionais de saúde). Em algumas perturbações de personalidade a empatia também pode estar comprometida.

Esta competência socio emocional tem uma dimensão de grande importância nas relações humanas, é estruturante para o funcionamento psicológico e relacional dos indivíduos, pois permite interpretar e responder às experiências emocionais dos outros.

Quando a comunicação acontece com recurso a écrans perdem-se elementos fundamentais da interação humana:

  • Expressões faciais;
  • Tom de voz (nas mensagens escritas);
  • Comportamento não verbal.

Isto leva a maior dificuldade de interpretar emoções e aumenta mal-entendidos. A ausência de contacto direto/físico diminuí a ativação emocional perante o outro, maior dificuldade na leitura de estados emocionais, tendência para respostas menos refletidas. Isto não quer dizer que a empatia está a desaparecer, mas a ser expressa de outra forma, com menos pistas não verbais, a reconfiguração é ajustada a novos modelos de comunicação, por intermédio da tecnologia.

Na comunicação digital o fenómeno de desinibição online é frequente, apesar de não acontecer com todas as pessoas. Pode ser observada agressividade verbal ou partilha excessiva de informação pessoal, assim como comportamentos mais impulsivos, principalmente porque o anonimato é real, os comentários são mais difíceis de ser identificados, as pessoas transmitem conteúdos que se sentiriam inibidas de fazer presencialmente.

Alguns estudos sugerem que a comunicação digital pode ter efeitos na empatia, diminuição significativa dos níveis de empatia, sobretudo se for utilizada excessivamente.

Estamos online, mas será que mais próximos?

Porque é que é tão importante a empatia?

A empatia é promotora e protetora de relações saudáveis. Aumenta a possibilidade de saúde mental no indivíduo. Aumenta a estabilidade emocional. Reforça a autoestima, a identidade e o bem-estar e favorece o crescimento pessoal. A empatia é uma forma de relação.

A influência da comunicação digital não é unidirecional, é mediada por variáveis individuais e sociais, o que reforça a necessidade de estratégias de literacia digital. A comunicação digital não é apenas fonte de risco, pode ser um instrumento de ampliação de empatia, no contexto de ser uma ferramenta digital em intervenções psicológicas, de criação de comunidades de apoio (experiências/vivências partilhadas) ou na facilitação de relações afetivas à distância, pode ser elemento de proximidade emocional.

Se a comunicação digital veio para ficar, é importante embarcar neste desafio e aprender a usá-la humana e conscientemente. É imprescindível promover uma utilização que preserve a empatia. Algumas estratégias simples:

  • Antes de enviar uma mensagem parar (pausa) alguns segundos;
  • Re/Ler o conteúdo da mensagem recebida e da mensagem a enviar;
  • Questionar antes de interpretar o conteúdo da mensagem;
  • Evitar ironia (excessiva);
  • Ser cuidadoso;
  • Validar emoções;
  • Preferir videochamadas quando possível.

A comunicação digital é uma dimensão incontornável do mundo contemporâneo, alterando o modo como nos relacionamos, interpretamos o outro e expressamos emoções. Neste contexto a empatia deve adaptar-se a outros ritmos e linguagens de interação. Assim, o desafio é desenvolver competências que permitam preservar a profundidade emocional das relações num ambiente mediado pela tecnologia.

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