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O mercado imobiliário de luxo está em transformação. Entre criptoativos, Branded Residences e novos perfis de compradores, Portugal posiciona-se num momento único onde tradição e inovação se encontram.

Luxury Outlook 2026 aponta para um aumento do uso de criptoativos na compra de imóveis de luxo, mas em Portugal a realidade ainda está longe dessa previsão. Ainda há muito poucas operações no país que recorram a este tipo de pagamento, e Portugal seguirá previsívelmente as diretivas da Comissão Europeia e do BCE.

Quando estas transações acontecem, os compradores são habitualmente investidores mais jovens, muitos millennials, que criaram fortunas com criptoativos ou com a venda de startups.

“A eventual aceitação de criptoativos para efeitos de qualificação de crédito à habitação pode transformar o mercado de luxo. Poderá trazer um novo tipo de procura (mais jovem, mais sensível à tecnologia e mais conhecedora das características dos criptoativos), em particular no segmento de luxo”, aponta o CEO da Portugal Sotheby’s International Realty.

A moda das “Branded Residences”

As Branded Residences são um segmento do imobiliário que está a crescer em Portugal e a atrair investidores, sobretudo estrangeiros. Este fenómeno imobiliário, importado dos EUA, representa viver num empreendimento residencial inserido num hotel de cinco estrelas, com todas as comodidades e serviços que isso significa.

“É uma espécie de sonho utópico em que podemos habitar, e a que nos podemos facilmente habituar”, descreve ao Idealista NewsPedro Fontainhas, Diretor-Executivo da Associação Portuguesa do Turismo Residencial e Resorts.

Para Miguel Poisson, este crescimento não se explica apenas pela eficiência do investimento ou procura por serviços diferenciados:

“O crescimento das Branded Residences em Portugal reflete uma mudança profunda da forma como o luxo residencial é entendido hoje. Os compradores procuram experiências completas que conjuguem a comodidade, a qualidade de vida, os serviços integrados e uma maior previsibilidade no usufruto de um imóvel”, refere Miguel Poisson.

Durante muito tempo, o imobiliário de luxo foi sobretudo uma equação de localização, dimensão e exclusividade. Hoje, essa equação alargou-se. O comprador procura uma experiência mais integrada, onde a habitação, os serviços, o conforto e o tempo caminham juntos.

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Bulgari residences dubai créditos: Bulgari residences dubai

A geração que está a redefinir o luxo

Este modelo responde a uma mudança profunda de mentalidade. Durante décadas, o luxo foi um conceito silencioso, envolto em mistério e admiração. Hoje, é a Geração Z quem está a redesenhar o que significa realmente o luxo. Para estes consumidores, luxo já não é apenas posse ou ostentação, mas uma extensão dos seus valores e identidade.

De acordo com o estudo New Desires da Kantar, 84% dos jovens consumidores de luxo consideram o luxo mais como uma experiência imersiva do que como uma mera aquisição. Com um poder de compra global que poderá atingir os 12,8 biliões (trillion) de dólares até 2030, este grupo está a tornar-se rapidamente no público mais influente para as marcas de luxo.

“As Branded Residences adaptam-se muito bem a esta lógica, porque oferecem um modelo próximo do que já existe noutras áreas da economia, em que o ativo é importante, mas o serviço é que determina a decisão da compra. Tal como na economia digital, o valor está na experiência fluída, na simplificação e na personalização“, explica o CEO da Portugal Sotheby’s International Realty.

Este perfil de comprador, frequentemente ligado a setores tecnológicos, empresariais ou criativos, procura casas que funcionem como bases de vida temporárias ou híbridas. É uma lógica muito distante da posse tradicional, mas muito próxima de uma visão contemporânea de luxo funcional.

ASTON MARTIN TOWER Miami
ASTON MARTIN TOWER Miami créditos: ASTON MARTIN TOWER Miami

Portugal pode ser um laboratório do “novo luxo”?

Um luxo mais digital, mais orientado para serviços e menos conservador, ou vai continuar a ser, sobretudo, um mercado de refúgio?

“Portugal tem condições para ser as duas coisas, e isso é uma vantagem competitiva. Continuamos a ser um mercado de refúgio, por razões estruturais bem documentadas (estabilidade, segurança, qualidade de vida, clima e integração europeia), mas, ao mesmo tempo, temos potencial para funcionar como um laboratório do ‘novo luxo’, precisamente porque o país combina a sua escala humana, com uma forte identidade cultural e com uma abertura ao investimento internacional”, sublinha Miguel Poisson.

O desafio está em não replicar modelos globais, mas em desenvolver um luxo contemporâneo com identidade portuguesa – mais discreto, mais ligado à experiência, menos dependente da ostentação. É nesse equilíbrio que Portugal tem a oportunidade de se destacar.

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