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Ao contrário do que muitos consumidores pensam, as designações light e diet não avaliam a qualidade nutricional global de um alimento. “Elas indicam apenas que houve uma alteração específica na composição, definida por critérios legais ou comerciais”, explica a nutricionista Filipa Costa, ao 24notícias.

Segundo a especialista, no caso do termo light, a legislação europeia é clara: “Um produto só pode ser considerado light se apresentar uma redução igual ou superior a 30% de energia ou de um nutriente específico, como o açúcar ou a gordura. Além disso, o rótulo tem obrigatoriamente de indicar o que foi reduzido.”

No entanto, Filipa Costa alerta que esta redução não significa, por si só, que o alimento seja mais saudável. “Um produto pode ser light em gordura e, ao mesmo tempo, ter mais açúcar ou sal. Pode ter menos calorias e continuar a ser ultraprocessado. Por isso, light não é propriamente sinónimo de saudável, significa apenas que tem menos proporção de algo comparativamente ao produto de referência.”

O que significa “diet”?

Ao contrário de light, o termo diet não tem uma definição legal específica na União Europeia. “Na prática, é um conceito usado comercialmente para indicar a ausência de um nutriente, como o açúcar, ou que o produto é destinado a dietas especiais, por exemplo para pessoas com diabetes”, explica a nutricionista.

Mas também aqui existem equívocos frequentes. “Um produto diet pode ser sem açúcar, mas conter mais gordura, mais adoçantes e mais aditivos. Mais uma vez, diet não significa automaticamente saudável, significa apenas que está adaptado a uma restrição específica.”

O que é, então, um alimento mais saudável?

Para Filipa Costa, a resposta passa por critérios simples e objetivos: “Profissionalmente, considero que um alimento é mais saudável quando tem baixo teor de açúcares, gorduras saturadas e sal, é pouco processado e contribui positivamente para a dieta global.”

A nutricionista sublinha ainda que os produtos light ou diet não garantem, por si só, menor risco cardiovascular ou metabólico. “O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, mesmo nas versões light ou diet, pode manter um padrão alimentar pouco saudável. E determinados adoçantes podem alterar a microbiota intestinal.”

A especialista dá um exemplo: “Se compararmos um refrigerante normal com um refrigerante light, ambos devem ser consumidos apenas em contextos pontuais. Se o objetivo for a perda de peso, pode fazer sentido optar pelo diet numa situação específica. Mas continuam a ser alimentos sem qualquer interesse nutricional e muitas vezes carregados de adoçantes artificiais. É o "menos mau", mas não é saudável.”

O mesmo acontece com outros produtos: “Há bolachas light com menos gordura, mas com maior adição de açúcar. O marketing nutricional pode influenciar muito as escolhas e não é sinónimo de saúde.”

Light pode ser ultraprocessado?

Sim, e essa é uma das confusões mais comuns. “Light é uma alegação nutricional. Não avalia o impacto global do alimento. Já o conceito de ultraprocessado refere-se à forma como o produto é feito, ou seja, formulado industrialmente, com ingredientes que não usamos em casa, como corantes, edulcorantes e intensificadores de sabor. São conceitos completamente diferentes.”

Por isso, um alimento pode ser simultaneamente light e ultraprocessado. “Pode ser light em açúcar, mas continuar a ser um alimento pobre do ponto de vista nutricional.”

Ainda assim, a nutricionista faz uma ressalva: “Nem todos os ultraprocessados são obrigatoriamente maus. Foram criados para aumentar a durabilidade dos produtos. Há pães ultraprocessados com listas intermináveis de ingredientes e pães embalados com listas curtas que podem ser utilizados no dia a dia.

Filipa Costa alerta ainda para um fenómeno comum: “Estes rótulos promovem muitas vezes uma falsa sensação de escolha saudável. O consumidor pensa: "Se diz light ou diet, posso consumir sem culpa". Mas o produto pode continuar a ser ultraprocessado, pobre em nutrientes e apenas com um componente reduzido.”

Para evitar erros e escolhas induzidas pelo marketing, a nutricionista defende mais educação alimentar.
“É fundamental apostar na literacia nutricional, e isso deve começar nas escolas. Aprender a ler rótulos é essencial para não sermos enganados pelas designações.”, afirma.

E deixa um aviso claro: “O rótulo diet não diz qual foi o nutriente retirado. Pode significar ausência de açúcar, mas não quer dizer que tenha menos calorias ou que seja adequado para quem quer emagrecer.”

Na prática, recomenda procurar indicações como “sem açúcares adicionados” ou “baixo teor”, mas sempre com espírito crítico. “Isso não impede que o produto tenha mais gordura. Por isso, ler o rótulo é fundamental, assim como olhar para a tabela nutricional e para a lista de ingredientes.”

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