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No comunicado, ao qual o 24notícias teve acesso, os produtores da região Oeste defendem que o acordo ultrapassa a dimensão comercial e assume um peso político com consequências profundas. “Não está em causa apenas a concorrência, mas a capacidade da Europa de continuar a produzir os seus próprios alimentos”, sublinham, alertando para o risco de falência de milhares de agricultores e para uma crescente dependência externa no abastecimento alimentar.

Os agricultores criticam a disparidade de regras entre os produtores europeus e os países terceiros abrangidos pelo acordo. Segundo a posição assumida, a União Europeia impõe exigências cada vez mais rigorosas em matéria ambiental, fitossanitária e burocrática aos seus agricultores, ao mesmo tempo que permite a entrada de produtos importados sujeitos a normas menos exigentes. Uma situação que classificam como “concorrência desleal institucionalizada”.

Outro dos pontos centrais da contestação prende-se com a segurança alimentar. Os agricultores do Oeste alertam que a dependência de cadeias logísticas globais, consideradas frágeis e vulneráveis, pode comprometer o abastecimento em momentos de crise, como já aconteceu durante a pandemia, conflitos armados e perturbações no comércio internacional. “Sem agricultores, Portugal e a Europa ficam mais vulneráveis”, referem.

Também a dimensão ambiental do acordo é alvo de críticas. Os produtores consideram contraditório que a União Europeia promova políticas ambientais exigentes internamente, mas aumente a importação de produtos provenientes de países com padrões menos rigorosos, o que, defendem, resulta em mais emissões, maior pressão sobre ecossistemas externos e perda de produção sustentável dentro da Europa.

No comunicado, os Agricultores do Oeste acusam ainda as instituições europeias de tratarem a agricultura como “moeda de troca” em negociações comerciais, sacrificando o setor primário em benefício de outras áreas económicas.

Perante este cenário, a organização exige que Portugal assuma uma posição firme nas instâncias europeias, defendendo a rejeição do acordo nos moldes atuais. Entre as principais reivindicações estão a aplicação do princípio de “mesmas regras, mesmos controlos e mesma fiscalização” para produtos importados, a criação de salvaguardas automáticas e eficazes e a proteção da produção nacional e europeia.

Os agricultores recordam que a região Oeste é um dos principais polos agrícolas do país, responsável pela criação de emprego, fixação de população e abastecimento alimentar. “Sem agricultores não há soberania. E sem soberania não há segurança”, concluem.

Também a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) já tinha afirmado esta quarta-feira estar apreensiva e desconfiada face ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul,

O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul. Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.

O acordo vai poder criar uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de pessoas, do Uruguai à Roménia, e um quarto do produto interno bruto global, segundo a Associated Press.

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