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A sala do hotel de Lisboa onde se concentraram os apoiantes de João Cotrim Figueiredo tem capacidade para cerca de 200 pessoas sentadas. Pelas cadeiras estão espalhadas bandeiras portuguesas e, sobre uma mesa ao fundo da sala, há ainda mais exemplares para distribuir à medida que mais apoiantes vão chegando.
O candidato chegou ao local por volta das 19h00, evitando declarações à imprensa. Antes de se juntar à sua equipa de campanha, limitou-se a afirmar, à porta do elevador, que estava “muito confiante”.
A sala começou a compor-se a partir das 19h10 e, cerca de quarenta minutos depois, os lugares estavam quase totalmente preenchidos. Entre o público encontravam-se atuais e antigos deputados, como Jorge Teixeira, Angélique Da Teresa e Patrícia Gilvaz.
Liliana Reis, antiga deputada do PSD e apoiante de Cotrim de Figueiredo, destacou a elevada participação eleitoral. “Há 20 anos que não existia tanta afluência às urnas. Esta candidatura está certa de que contribuiu para a mobilização massiva dos portugueses”, afirmou, deixando um “profundo agradecimento” a todos os que votaram e participaram “na festa da democracia”. “Agora vamos acompanhar com o otimismo e a esperança que marcaram esta candidatura”, acrescentou.
Às 20h00, a divulgação da primeira sondagem da Universidade Católica foi recebida com entusiasmo. Após uma contagem decrescente que fez lembrar a Passagem de Ano, os ecrãs mostraram João Cotrim Figueiredo em terceiro lugar, com uma estimativa entre 16,3% e 20,1% dos votos. O anúncio foi acompanhado por aplausos, gritos de alegria e bandeiras agitadas no ar.
Nas televisões, sintonizadas em todos os canais noticiosos, os comentadores analisavam os resultados provisórios e, quando referido o “pior resultado” de Marques Mendes, ouviram-se novamente aplausos e manifestações de satisfação na sala.
Pouco depois, Gonçalo Almeida Ribeiro, porta-voz da candidatura liberal, revelou que João Cotrim de Figueiredo já tinha contactado António José Seguro para lhe dar os parabéns pela vitória nesta noite eleitoral. Ainda assim, deixou em aberto a possibilidade de um desfecho diferente: “É improvável, mas não impossível, a passagem de Cotrim Figueiredo à segunda volta. A prudência aconselha a aguardar pelos resultados”, afirmou, numa curta declaração de menos de um minuto.
Cerca das 21h40, Mariana Leitão, líder da IL, falou à comunicação social, pedindo prudência na leitura dos resultados. “Ainda é cedo para assumir discursos”, afirmou, sublinhando que havia votos por contar e que, por isso, mantinha a esperança. Questionada sobre o facto de Cotrim Figueiredo apresentar resultados acima do partido nas legislativas, a líder da Iniciativa Liberal disse ser algo que a “deixava contente” e acrescentou que “ficaria preocupada se fosse ao contrário”, lembrando que aconteceu a outros candidatos “valerem menos do que os seus partidos”.
João Cotrim de Figueiredo entrou na sala ao som de Thunderstruck dos AC/DC e foi recebido numa atmosfera de apoteose liberal. No discurso, começou por agradecer à família e, em particular, aos filhos, referindo os “estilhaços desta campanha” que em alguns momentos não foram fáceis. No que respeita aos resultados que o colocaram em 3º lugar nesta primeira volta, assumiu "a derrota pessoal”, mas sublinhando que “hoje não tem de ser o fim, mas o princípio de um caminho”.
Sobre a segunda volta, afirmou que se irá tratar de “uma péssima escolha entre António José Seguro e André Ventura” e, num dos momentos mais incisivos do discurso, apontou ao PSD um “erro estratégico”, considerando que o partido, “apesar do apelo” (remetendo ao apelo público da sua candidatura a Luís Montenegro para juntar os votos do Partido Social-Democrata) , não colocou “o interesse do país à frente” e que “não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro”.
João Cotrim de Figueiredo garantiu que “não endossa ninguém na segunda volta”. Questionado sobre o facto de ter tido um resultado superior ao da Iniciativa Liberal nas eleições legislativas faz com que tire algumas ilações assegurou que “não vai voltar” à liderança do partido.
Sobre André Ventura se ter afirmado durante a noite como líder da direita, Cotrim defendeu que a política ganha se deixar de ser “preto e branco” e ultrapassar a lógica de esquerda e direita.
A noite terminou ao som de Don’t Stop Me Now, dos Queen. Entre aplausos e um abraço dos filhos, João Cotrim Figueiredo deu por concluído um percurso marcado, na reta final, por várias polémicas, mas também por uma mobilização que demonstrou ser significativa.
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