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Com um percurso longo na vida política nacional e europeia, António José Seguro construiu uma imagem pública associada ao diálogo e ao respeito pelas regras do sistema democrático. Antigo secretário-geral do Partido Socialista (PS) e ex-eurodeputado, nunca foi identificado com estratégias de confronto direto ou com uma liderança personalista.

Um dos traços notados é a sua aposta consistente no consenso. Durante a liderança do PS, Seguro procurou frequentemente soluções de compromisso, tanto no plano interno como no diálogo com outras forças políticas. Transposta para Belém, essa postura poderá traduzir-se num presidente com vocação para árbitro do sistema político, privilegiando a estabilidade governativa e o funcionamento regular das instituições.

Ao contrário de presidentes mais interventivos ou mediáticos, António José Seguro terá tendência a exercer o cargo com contenção, respeitando de forma rigorosa os limites constitucionais da função presidencial. O uso do veto político, a intervenção no debate público ou a eventual dissolução do Parlamento seriam, à luz do seu percurso e das afirmações em campanha, instrumentos utilizados com prudência e apenas em contextos de necessidade institucional clara.

Quais as mensagens que deixou durante a campanha eleitoral?

As tomadas de posição de António José Seguro durante as diversas ações de campanha levantam o véu quanto ao tipo de Presidente da República esperado.

  • Unidade, estabilidade e sentido de comunidade

Seguro apelou repetidamente à união dos portugueses, defendendo que é urgente recuperar o sentido de comunidade e promover uma “mudança tranquila” no país para melhorar a vida de todas as gerações.

  • Diálogo, experiência e moderação

Colocou-se como um candidato que pretende promover o diálogo político e a estabilidade democrática, argumentando ser capaz de agregar diferentes sensibilidades políticas e defender os valores constitucionais.

  • Presidência próxima dos cidadãos

Propôs uma “presidência aberta”, com maior proximidade às populações, especialmente em zonas afetadas por crises (como recentemente com a tempestade Kristin), e prometeu que a sua atuação incluiria contacto direto com os portugueses.

  • Fortalecimento do poder local

Defendeu a importância das freguesias e do poder local como forma de tornar Portugal mais coeso, justo e equilibrado territorialmente, reconhecendo-os como pilares da democracia e como aliados para responder às necessidades concretas das pessoas.

  • Governos com projeto e foco em soluções concretas

Criticou a política de “governos de turno” e defendeu a necessidade de governos e políticas com visão estratégica que enfrentem os problemas estruturais do país, em vez de soluções de curto prazo.

  • Defesa da democracia e dos valores constitucionais

A campanha de Seguro sublinhou a importância de proteger a democracia, o Estado de direito e os valores constitucionais, contrapondo-se a discursos que considerou hostis ao sistema democrático vigente.

  • Política externa pacífica e compromisso com alianças

Em temas de política externa abordados durante a campanha, Seguro afirmou que Portugal deve permanecer no quadro da NATO e defender uma atuação internacional baseada na diplomacia e na paz.

"O mais institucional dos candidatos"

Todos estes tópicos permitem entender António José Seguro "como o mais institucional dos candidatos à Presidência da República", como escreveu a jornalista Isabel Tavares no perfil publicado no 24notícias.

Seguro afirmou que se revê "na firmeza de Ramalho Eanes, na visão de Mário Soares, no humanismo de Jorge Sampaio, no institucionalismo de Cavaco Silva, no contributo de Marcelo Rebelo de Sousa para descrispar a sociedade portuguesa" — mas garantiu que "quer ser outra coisa e ajudar a resolver os problemas de Portugal".

Como presidente da República, sabe-se já que vai continuar a morar nas Caldas da Rainha "e quando precisar de dormir em Lisboa" recorrerá ao apartamento que possui na capital. Belém, será, então, apenas local de trabalho — e os próximos cinco anos ditarão o que fará.

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