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Com cerca de 66,8% dos votos, correspondentes a mais de 3,48 milhões de eleitores, superou amplamente André Ventura, que ficou pelos 33,2%. A dimensão desta vitória ultrapassa as votações alcançadas por Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva e Jorge Sampaio, colocando Seguro no topo dos resultados presidenciais em termos absolutos e conferindo-lhe uma legitimidade política particularmente reforçada.

Na segunda volta escolheu o mesmo local da primeira, o "homem do interior" não o vai deixar durante a presidência e já disse que continuará a viver nas Caldas da Rainha, ficando apenas em Belém quando a agenda o obrigar.

E exatamente no Centro Cultural das Caldas da Rainha, onde se concentrou a candidatura, a noite eleitoral foi marcada por um ambiente de grande entusiasmo. À medida que as projeções começavam a surgir nos ecrãs, sobrepunham-se os aplausos, gritos de vitória e cânticos repetidos de “Portugal presente, Seguro a Presidente”. O auditório principal, o mesmo onde o então candidato apresentou oficialmente a sua candidatura em junho, encheu-se por completo, com apoiantes a agitar bandeiras e a celebrar. Seguro entrou no espaço acompanhado pela família, no meio de uma enorme confusão e emoção, num cenário semelhante ao vivido três semanas antes, aquando da vitória na primeira volta.

Em Penamacor, a sua terra natal, o resultado tem um peso simbólico particular. Seguro venceu com cerca de 82% dos votos, resultado recebido com orgulho e festa pelos conterrâneos, que celebraram o facto de a vila passar a ser identificada como “terra presidencial”. Entre brindes, música e palavras de ordem, repete-se a ideia de que o “Tó Zé”, como é conhecido localmente, levará Penamacor ao centro da vida política nacional.

Já no discurso de vitória, António José Seguro começou por afastar qualquer tom triunfalista, deixando uma palavra de pesar pelas vítimas mortais do temporal que atingiu o país nas últimas semanas e expressando solidariedade para com as pessoas que perderam casas e meios de subsistência. No discurso, sublinha que a solidariedade dos portugueses foi exemplar, mas fez questão de afirmar que esta não pode substituir a responsabilidade do Estado. Num recado direto ao Governo, garantiu que não aceitará burocracias que atrasem a chegada dos apoios e prometeu visitar as zonas afetadas para acompanhar a resposta no terreno. Ali ficou assinalada a causa da presidência de António José Seguro.

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Dirigindo-se aos eleitores, afirmou que “os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, destacando a forte adesão aos valores democráticos demonstrada pela participação eleitoral, mesmo em condições difíceis. Num dos momentos mais marcantes do discurso, falou diretamente para André Ventura, afirmando que a partir desta noite deixam de ser adversários e que existe um dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo. “A maioria que me elegeu extingue-se esta noite”, declarou, reforçando a ideia de que assume agora o papel de Presidente de todos os portugueses, independentemente da opção de voto. E citando o Papa Francisco, será o Presidente de "todos, todos, todos", um presidente que esteve longe de ter "uma vitória pífia".

A propósito desse tema, e deixando para trás o elefante na sala, reconheceu que esta vitória tem um sabor especial, mas rejeitou qualquer leitura de ajuste de contas com o passado, nomeadamente com a forma como deixou a liderança do PS em 2014, sublinhando que olha apenas para o futuro. E no presente, António Costa desejou-lhe sucesso, num tweet publicado este domingo no X, António Costa sublinhou o significado da participação dos eleitores: “Os Portugueses demonstraram hoje o seu apreço pela Democracia, reafirmando Portugal como um pilar do humanismo europeu”.

Nessas primeiras declarações, António José Seguro afirmou que “o povo português é o melhor povo do mundo”, elogiando o sentido de responsabilidade cívica demonstrado nas urnas e o apego aos valores democráticos.

Depois de várias comparações com outros Presidentes e várias alusões às eleições de 1986 ao longo da campanha, Seguro sublinhou que terá o seu próprio estilo na presidência, reiterando uma das mensagens centrais da campanha: a liberdade pessoal como garantia de independência política. Prometeu tratar por igual todos os partidos e parceiros sociais, manter relações institucionais leais e profícuas com o Governo e o Parlamento e ser fiel à Constituição da República. Fez questão de afirmar que jamais será um contrapoder, mas avisou que será um Presidente exigente, vigilante e atento aos resultados, disposto a fazer perguntas difíceis e a exigir respostas. Garantiu também que não falará “por tudo e por nada”, sublinhando que a palavra do Presidente deve ter peso, consequência e responsabilidade.

Seguro, ao início da noite, a caminho da sede de campanha, lembrava os jornalistas que a primeira sondagem lhe dava 6% das intenções de voto, aqui chegado com mais de dois terços dos votos chega a Belém com legitimidade reforçada e com o secretário-geral do partido que hesitou em apoiá-lo, José Luís Carneiro, a classificar o resultado como uma “vitória da esperança sobre o ressentimento”, defendendo que Seguro será um Presidente de todos, à semelhança de Mário Soares e Jorge Sampaio, e manifestando a disponibilidade do partido para contribuir para consensos fundamentais para o país.

Os resultados confirmaram uma vitória em toda a linha em território nacional: António José Seguro venceu em todos os distritos e nas duas regiões autónomas, com vantagens particularmente expressivas em Coimbra, Lisboa e Porto, perdendo apenas no círculo da emigração para André Ventura. Questionado sobre a relação futura com o primeiro-ministro, Seguro garantiu lealdade institucional e cooperação, afirmando que não será por si que a duração da legislatura será interrompida. Reconheceu que esperava um reforço da legitimidade eleitoral, mas não “nesta grandeza”, admitindo que, com isso, as suas responsabilidades aumentaram.

Assim foi eleito um Presidente com um perfil que contrasta com o de Marcelo Rebelo de Sousa, um Presidente de estilo discreto, institucional e avesso ao espetáculo, que promete uma Presidência marcada pela ética, pela procura de consensos e por uma intervenção firme mas contida.

Antigo secretário-geral do PS, com um percurso ligado à reforma do Parlamento e à defesa da transparência democrática, Seguro apresenta-se como um europeísta crítico e como um Presidente que quer unir o país acima das clivagens partidárias. Defende uma Presidência fiel à Constituição, sem protagonismos excessivos, mas atenta aos grandes problemas nacionais, começando pela defesa do Serviço Nacional de Saúde e pelos desafios demográficos.

No encerramento do discurso, apresentou-se como sempre se definiu ao longo da campanha: “Sou o mesmo de sempre. Sou um de vós. Sou um de nós.” Um Presidente que promete unir, servir com discrição e firmeza, e colocar os interesses do país acima de quaisquer amarras partidárias, assumindo como missão central ser, a partir desta noite, o Presidente da República de todos, todos, todos os portugueses.

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