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A medida foi inicialmente detetada por youtubers como Rick Beato e Rhett Shull, que notaram alterações subtis nos seus vídeos, desde o alisamento de pele a distorções em orelhas e sobredefinição de imagens, dando um aspeto artificial ao conteúdo.
A empresa afirma tratar-se de uma experência limitada em vídeos curtos, com recurso a “tecnologia de machine learning” para reduzir borrões e ruído de imagem, e compara o processo ao que já acontece em smartphones modernos. Contudo, especialistas alertam para a falta de transparência e para a erosão da confiança entre criadores e público. “É um caso em que uma empresa manipula conteúdos distribuídos publicamente sem o consentimento de quem os produz”, critica Samuel Wooley, investigador da Universidade de Pittsburgh.
Segundo a BBC, o debate insere-se numa tendência mais ampla em que a IA se torna um intermediário invisível entre o mundo real e o que vemos nos ecrãs, levantando questões sobre autenticidade e representação. Casos semelhantes já tinham gerado polémica — como a manipulação de fotos da Lua em smartphones Samsung, ou as ferramentas do Google Pixel que corrigem expressões faciais para criar imagens de momentos que nunca aconteceram.
Para alguns criadores, como Beato, a experiência não compromete a confiança na plataforma; para outros, como Shull, representa uma ameaça à voz e identidade digital. No fundo, a questão vai além da estética: “O que acontece se as pessoas souberem que as empresas estão a editar conteúdos de cima para baixo, sem sequer avisar os criadores?”, questiona Wooley.
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