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Em entrevista à SIC Notícias, o governante sublinhou, no entanto, que apesar dessas falhas, “a forma como [o dispositivo] tem respondido, apesar de todas estas incidências [de incêndio], julgo que tem sido uma resposta positiva. Com as lacunas que temos verificado, mas, de facto, tentando balancear todo um dispositivo nacional”.
As declarações surgem num momento em que o país enfrenta uma das épocas de fogos mais severas das últimas décadas. Rui Rocha destacou que este ano se têm verificado “circunstâncias anormais”, nomeadamente trovoadas secas e ventos fortes, fenómenos que aceleram a propagação das chamas. “Não há memória neste século de um período tão prolongado de condições meteorológicas adversas”, acrescentou, para justificar a dificuldade em conter vários grandes incêndios em simultâneo.
O governante admitiu que a dimensão e simultaneidade das ocorrências levaram a que populações afetadas tenham sentido atrasos na chegada de meios. “Temos tido quatro ou cinco incêndios de grandes dimensões, que mobilizam muitos operacionais e, por isso, muitas vezes, as populações não recebem auxílio imediato”, afirmou.
Rui Rocha defendeu que, além do reforço operacional, o país precisa de “preparar um conjunto de políticas” de médio e longo prazo, com enfoque na prevenção, reorganização do território, valorização da floresta e responsabilização coletiva.
Sobre a ativação tardia do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que só ocorreu após mais de duas semanas de fogos intensos, Rui Rocha lembrou que se trata de um “mecanismo de último recurso” e que “Bruxelas não tem um lote de aeronaves que esteja disponível para distribuir” pelos Estados-membros. Acrescentou que, quando se registaram falhas na frota nacional, Portugal recorreu de imediato a acordos bilaterais, tendo recebido aeronaves do Marrocos e, posteriormente, reforços vindos da Suécia.
Questionado sobre as críticas do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, que acusou o Governo de falhar ao não garantir um comando nacional visível nos dias mais críticos, Rui Rocha contrapôs: “O comandante nacional da Proteção Civil tem, quase diariamente, vindo a público informar a população sobre a situação, deslocando-se muitas vezes às zonas afetadas.”
A entrevista acabou por confirmar aquilo que já era assumido por autarcas e operacionais no terreno: embora os bombeiros e os meios de proteção civil estejam a responder de forma intensa, há limitações estruturais que ficam a descoberto em anos extremos. Entre elas, a escassez de aeronaves pesadas, a dificuldade de coordenação em frentes múltiplas e a insuficiente aposta na prevenção estrutural ao longo da última década.
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