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Segundo o geógrafo, Portugal terá cada vez mais tempestades como esta, pelo que planos de emergência têm de ter a localização das pessoas mais vulneráveis e os meios mais adequados para as socorrer.
“Vivemos numa cultura mais reativa do que proativa. Por vezes, quando reagimos já estamos a demorar muito tempo”, afirmou o professor no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT) da Universidade de Lisboa.
“Sei de pessoas que estiveram mais de 24 horas sem se saber se estavam bem ou não, o que é grave”, disse, referindo que os sistemas de alerta estão montados, mas precisam de ser melhorados, assim como a informação à população.
“Devíamos ter este conceito de risco permanente. Os modelos dizem-nos que [as tempestades], estão a aumentar em frequência e intensidade”, sublinhou, para defender que toda a sociedade deve estar preparada, assim como os municípios e as empresas que fornecem energia e comunicações.
Para o investigador, os planos de emergência têm de ter identificada a localização das pessoas mais vulneráveis e os meios mais adequados para fazer chegar o socorro, face à obstrução de estradas e caminhos.
“Temos essa informação, temos a população muito bem caracterizada, através do Censos. É preciso saber onde ir primeiro e qual a melhor forma de lá chegar “, referiu.
De acordo com António Lopes, há sempre formas de melhorar os sistemas, mas a perceção é que “não se aprende nada” entre uma e outra tempestade.
“Vamos ter duas épocas em que vamos estar sempre a falar de dois fenómenos, as tempestades e os incêndios”, disse o geógrafo, sublinhando a importância de as populações seguirem as recomendações da Proteção Civil: “Uma coisa é estar em casa e cair o telhado, outra é ir para a rua ver as ondas e os telhados a voar”.
A este propósito, reiterou a necessidade de uma maior consciencialização da população, já que estes eventos vão aumentar de intensidade e de frequência, segundo os cientistas.
“Os oceanos estão a aquecer, há mais evaporação e outros eventos associados, o aquecimento dos oceanos está a modificar os padrões atmosféricos”, explicou.
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