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Isabel Tan ganhou popularidade no Tiktok após postar um vídeo sobre a falta de gelo nas bebidas europeias.
Isabel Tan relata à CNN Travel que ao pedir uma bebida gelada recebeu-a morna e sem cubos de gelo. Pediu à funcionária gelo e esta trouxe-lhe um “triste” cubo que, segundo a própria, se desfez no primeiro gole.
O historiador, Jonathan Rees, confirma, “O mundo não tem tanto interesse no gelo quanto os Estados Unidos tem”. Acrescenta que é uma “coisa muito americana” colocar gelo em tudo.
No livro “Ice:From mixed drinks to skating rinks - a cool history of a hot commodity” (Gelo: de bebidas mistas a pistas de patinagem - uma história interessante sobre um produto muito procurado, em tradução livre), a autora Amy Brady aborda as consequências ambientais de usar tanto gelo “os americanos são os únicos no mundo com uma obsessão absoluta por gelo”.
Isabel Tan, é natural de Singapura e cresceu com uma visão totalmente diferente sobre refrigeração, “é uma questão cultural, na cultura asiática acredita-se que uma bebida quente é melhor”.
Contudo, os anos em Nova Iorque converteram-na a um estilo de vida com imenso gelo “até no meu Stanley Cup”, afirma Isabel Tan à CNN Travel.
Claire Dinhut, natural do Reino Unido, tem uma perspetiva diferente, diz não gostar "muito de gelo, nem sequer gosto do sabor da água".
Acrescenta que se sente grata por morar na Europa, pois assim evita "montanhas de gelo" nas bebidas. Prefere um "bom gelado".
A diferença entre a Europa e os EUA em relação ao gelo pode ter ganhado atenção online nos últimos anos, mas não é uma coisa nova. Amy Brady aponta exemplos históricos de "pessoas de todo o mundo que vieram para a América e ficaram chocadas".
Completa, "descobri ensaios e cartas de Charles Dickens" que, segundo a autora, "veio para a América e ficou chocado e francamente revoltado com o que chamou de montanhas de gelo a transbordar das bebidas americanas".
Os americanos e a sua obsessão por gelo. Quando começou?
O historiador Jonathan Rees afirma que o amor dos americanos pelo gelo remonta a Frederick Tudor, um empresário e empreendedor do século XIX em Boston que fez fortuna a vender água congelada, tornando-se conhecido como o "Rei do Gelo".
O empresário descobriu uma maneira de "cortar gelo de lagoas e riachos, embalá-lo em navios e enviá-lo para todo o planeta". Tendo enviado gelo para a Índia, para as Caraíbas, para o sul dos Estados Unidos. Assim começou a indústria do gelo, expõe o historiador.
E mesmo com todas as exportações ainda sobrava gelo. “Ninguém sabia o que fazer com ele”, diz Jonathan Rees. “Então, Tudor começou a distribuir gelo para tabernas americanas. Que o colocavam nas bebidas, e as pessoas ficavam viciadas em bebidas geladas, voltavam e compravam o gelo mais tarde. E funcionou muito bem. Ele criou um mercado. Ficou muito rico.”
Tudor não foi de forma alguma "a primeira pessoa no mundo a colocar gelo num cocktail", diz Amy Brady. Ninguém sabe realmente quem foi, mas as pessoas que vivem em climas quentes sempre procuraram maneiras de se refrescar, acrescenta a autora.
À medida que o século XIX deu lugar ao século XX, o gelo consolidou-se como um símbolo de status nos Estados Unidos. "As campanhas de marketing falavam sobre o gelo como se fosse um automóvel ou uma televisão", explica Amy Brady. "Ter um frigorífico era uma forma de mostrar aos vizinhos que se tinha atingido o sucesso, que se era um americano de classe média que, entre aspas, tinha conseguido o sucesso financeiro".
Na Europa, o gelo nunca ganhou a mesma popularidade, nem no século XIX, nem hoje. Enquanto os americanos vêem o gelo com alegria, de modo geral os europeus consideram-no desnecessário. “Eu peço bebidas geladas durante o verão por necessidade”, diz Claire Dinhut. “Mas eu bebo a bebida rapidamente para não o deixar diluir e alterar o sabor.”
O especialista em gelo, Jonathan Rees, explica que é verdade que “quando se coloca gelo na bebida, ela dilui automaticamente”. Diz que, quando se trata dos americanos e do gelo, “tem tanto a ver com o que os americanos estão habituados quanto com o sabor. Acrescenta que os americanos "amam" o gelo há tanto tempo que estão dispostos a fazer esse sacrifício. "Estamos dispostos a pagar mais para que as nossas bebidas sejam diluídas de maneiras específicas", remata.
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