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A conversa explora o papel que os middle managers estão a desempenhar nesta transição para uma economia cada vez mais digital e orientada por inteligência artificial.
“O conceito do bot era desagradável, quase ninguém gostava. Mas os agentes são fundamentalmente diferentes”, realça Fernando Braz logo no início da conversa.
Ao contrário dos bots tradicionais, presos a árvores de decisão limitadas, os agentes trabalham em linguagem natural, aprendem continuamente e adaptam-se ao perfil de cada utilizador.
O resultado? Vendedores que antes contactavam 10 empresas por dia podem agora alcançar 30 ou 40. Equipas de suporte que demoravam horas a resolver problemas técnicos agora respondem em segundos. E tudo isto sem substituir pessoas mas libertando-as para trabalho de maior valor.
Slack: A Porta de Entrada para Tudo
A conversa revela como o Slack se tornou muito mais do que uma ferramenta de comunicação.
“Entro no Slack, vejo as minhas oportunidades, vejo o meu “Forecast”, posso tomar uma decisão sobre estas oportunidades, aprovo despesas, aprovo férias”, sublinha o CEO da empresa americana de “software on demand”.
A Salesforce designa agora o Slack como um “Application System”, transformando-o na porta de entrada unificada para todo o ecossistema CRM. Com agentes integrados, os utilizadores já não precisam de navegar entre múltiplas aplicações, ou seja, tudo acontece num único lugar, através de linguagem natural.
“Garbage in, garbage out”
Um dos insights mais importantes da conversa centra-se numa verdade inconveniente: se os dados não forem bons, a inteligência artificial não funciona.
“Como é que eu vou utilizar uma ferramenta de inteligência artificial sobre dados que não estão devidamente tratados?”, questiona Fernando Braz.
Esta realidade coloca os middle managers numa posição única. São eles que conhecem os processos, que entendem onde estão os problemas de qualidade de dados, e que podem liderar a transformação necessária para que estas tecnologias entreguem verdadeiro valor.
Os middle managers emergem como peças fundamentais desta transformação. Não são apenas executores, são tradutores entre a visão estratégica do topo e a realidade operacional da base. São eles que:
- Identificam os use cases mais relevantes para as suas equipas
- Garantem a qualidade dos dados necessários
- Formam e motivam as equipas a adoptar novas ferramentas
- Medem e comunicam os resultados da implementação
“Tens que ter uma mente aberta”, sublinha Fernando, destacando a importância de líderes que não só aceitem a mudança, mas que sejam os primeiros a experimentar e a partilhar aprendizagens.
O caminho Português
Com apenas 13% dos trabalhadores a integrar IA nos seus processos diários, mas com aqueles que o fazem a reportar aumentos de 64% na produtividade, o potencial é evidente. Então, o que está a travar a adoção?
O CEO da Salesforce identifica três fatores: geografia (a Europa é mais conservadora que os EUA ou China), dimensão da empresa (as PMEs e startups portuguesas são mais ágeis) e maturidade dos dados. No entanto, há sinais encorajadores, com “casos como o Banco BPI a abraçar a inteligência artificial com resultados super positivos”.
2026: O ano da viragem?
Fernando Braz, mostra-se otimista quanto ao futuro próximo. A criação de um ministério focado no digital, liderado pelo Ministro Gonçalo Matias, e a dinâmica na administração pública portuguesa são sinais de que 2026 pode ser o ano da adoção massiva da inteligência artificial no país.
“Isto não é uma moda. Nós já estamos a usá-lo de forma diária. É impossível que isto não seja afeto por diferentes use cases que vão aparecendo”, conclui o CEO da Salesforce.
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