Caso não passe à segunda volta, Cotrim de Figueiredo não exclui a possibilidade de votar em André Ventura em detrimento de António José Seguro.

O que Cotrim realmente disse?

Inicialmente, o candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou esta segunda-feira que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato.

"Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda", admitiu o também eurodeputado, no final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão onde teve, a seu lado, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, a ex-deputada do PSD Liliana Reis e o vereador na Câmara Municipal da Covilhã, que concorreu como independente eleito pelo CDS-PP, Eduardo Cavaco.

Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.

"O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente", considerou.

Já depois destas declarações, Cotrim Figueiredo disse que foi mal interpretado.

"Eu disse que votaria André Ventura? Não disse. Fui pouco claro, assumo. Eu gosto de responder sempre às perguntas dos jornalistas. O que eu disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta. É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República", referiu.

O que Ventura diz disto?

André Ventura disse esta segunda-feira ver "com naturalidade" um eventual apoio de Cotrim de Figueiredo numa segunda volta contra Seguro, mas criticou o liberal, classificando-o como um bloquista "de fato e gravata".

"Vejo a declaração do João Cotrim de Figueiredo com naturalidade, de que, como é provável, eu esteja na segunda volta e o [outro] candidato seja o António José Seguro, que esses apoios possam manifestar-se e que isso possa acontecer. Eu também procurarei evitar ao máximo que haja um Presidente socialista", afirmou o também presidente do Chega.

E o que os outros candidatos dizem?

O candidato presidencial Gouveia e Melo disse hoje não estar surpreendido com um eventual apoio de João Cotrim Figueiredo a André Ventura, na segunda volta, e afirmou que já nada o surpreende, pois já viu acontecer todo o tipo de estratégias.

"Já não fico surpreendido com nada. Já vi desde umas eleições que deveriam ser presidenciais transformarem-se em umas eleições, quase, umas segundas legislativas, e já vi todo o tipo de táticas e estratégias. Portanto, já nada me surpreende", afirmou.

Já Luís Marques Mendes acusou Cotrim Figueiredo de ter admitido a inutilidade de votar em si, não excluindo o voto em André Ventura.

"Cotrim Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta. Está a reconhecer aquilo que muita gente diz, que um voto na candidatura da Iniciativa Liberal é um voto inútil, inútil, porque não vai passar à segunda volta, porque não vai ganhar", referiu.

Por sua vez, Catarina Martins sublinhou que “as pessoas são os seus percursos”.

“Há quem tenha semeado o ódio, a divisão e os problemas no país. E há quem tenha estado sempre do lado de quem trabalha, de quem constrói Portugal e que não desista de uma economia mais qualificada e de uma democracia mais forte”, comparou.