Veteranos acusam Trump de desrespeitar sacrifícios feitos no Afeganistão

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar controvérsia internacional ao criticar o papel das forças da NATO, incluindo tropas britânicas, na guerra do Afeganistão.

Trump afirmou que alguns aliados “ficaram um pouco atrás, um pouco fora das linhas da frente” e que os Estados Unidos “nunca precisaram realmente deles” na intervenção militar. A afirmação gerou reação imediata em todo o mundo.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou as palavras do presidente norte-americano como “insultuosas e francamente chocantes”. Entretanto, Trump elogiou parcialmente as forças britânicas, reconhecendo a morte de 457 militares do Reino Unido no Afeganistão, mas sem pedir desculpa nem retirar as críticas dirigidas aos restantes aliados.

Por sua vez, as declarações de Trump provocaram indignação entre antigos militares que combateram ao lado das forças norte-americanas.

Bruce Moncur tinha apenas 22 anos quando foi destacado para o Afeganistão como reservista canadiano. Três semanas após a sua chegada, ainda de madrugada, um avião de ataque norte-americano A-10 Warthog abriu fogo sobre o acampamento onde dormia, a oeste de Kandahar. O ataque de fogo amigo matou um soldado canadiano e deixou outros cinco gravemente feridos. Moncur sofreu ferimentos na cabeça, perdeu cerca de 5% do cérebro e teve de reaprender a andar, falar, ler e escrever. Hoje é professor do ensino básico.

“Os nossos amigos precisavam de ajuda e eu, como tantos outros, respondemos ao chamamento. Agora dizem-me que o meu sacrifício não foi suficiente”, afirmou Moncur, citado pelo The Guardian.

Na Polónia, as palavras de Trump também reabriram feridas. Paweł “Naval” Mateńczuk, veterano das forças especiais polacas, lembrou que, ao longo de 19 anos, mais de 33 mil militares polacos passaram pelo Afeganistão e 44 morreram em serviço. Para ele, os veteranos não procuram gratidão política, porque sentiram esse reconhecimento no terreno, lado a lado com os americanos. “Não se quebra facilmente um laço criado em combate”, reforçou.

De recordar que a NATO só ativou uma vez o seu artigo 5.º, a cláusula de defesa coletiva, após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Foi então que milhares de soldados de países aliados foram enviados para o Afeganistão.

Ao longo de 20 anos de conflito, morreram 3.486 militares da NATO, dos quais 2.461 eram norte-americanos. Em determinados períodos, no entanto, alguns aliados registaram taxas de mortalidade superiores às dos EUA.

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