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As declarações constam de depoimentos escritos entregues num tribunal federal do Minnesota, no âmbito de uma ação judicial interposta pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), em nome de manifestantes de Minneapolis, contra a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, e outros responsáveis pela operação de controlo migratório em curso na cidade.

Uma das testemunhas é a mulher que gravou o vídeo mais claro do momento em que Alex Pretti foi abatido. A outra é um médico de 29 anos que vive nas imediações e que afirma ter sido inicialmente impedido por agentes federais de prestar assistência médica à vítima. As identidades de ambos foram ocultadas nos documentos tornados públicos.

No seu testemunho, a mulher, que se identificou como animadora infantil especializada em pinturas faciais, relatou que se dirigiu ao local quando seguia para o trabalho, por considerar "importante documentar o que o ICE está a fazer aos meus vizinhos". Segundo descreveu, Pretti foi imobilizado depois de tentar ajudar outra observadora que tinha sido empurrada ao chão por agentes federais.

A testemunha afirmou que um dos agentes pulverizou um agente químico no rosto de Pretti e da mulher que este tentava ajudar e garantiu nunca ter visto a vítima com uma arma. "Ele não estava a atacar ninguém, estava apenas a tentar ajudar. Quatro ou cinco agentes tinham-no no chão e começaram a disparar", afirmou, acrescentando que a versão divulgada pelo Departamento de Segurança Interna "não corresponde à verdade".

A mulher disse ainda sentir-se intimidada após o incidente, afirmando temer represálias por parte das autoridades. "Eles não estão a dizer a verdade sobre o que aconteceu", declarou.

O segundo testemunho, prestado por um médico que assistiu aos acontecimentos a partir da janela do seu apartamento, confirma que Pretti discutia verbalmente com os agentes antes de ser baleado, mas "não atacou ninguém nem exibiu qualquer arma". Após os disparos, o médico tentou prestar socorro, mas foi inicialmente impedido pelos agentes do ICE.

Segundo o depoimento, nenhum dos agentes presentes realizava manobras de reanimação, limitando-se a contar os ferimentos provocados pelos disparos. O médico referiu que a vítima apresentava pelo menos três ferimentos nas costas, um no tórax e outro possivelmente no pescoço, não tendo sido detetado pulso quando tentou avaliá-lo.

Os testemunhos e as imagens de vídeo analisadas por órgãos de comunicação social norte-americanos contradizem diretamente as declarações do Presidente dos Estados Unidos, da secretária da Segurança Interna e de responsáveis da patrulha fronteiriça, que classificaram Alex Pretti como um "atirador" que teria ameaçado os agentes com uma arma de fogo.

Refira-se que esta é a segunda morte às mãos da polícia no espaço de semanas, depois de uma outra no estado do Minnesota.

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