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O Expresso foi a marca basilar do jornalismo livre em Portugal e uma das primeiras na minha ligação ao jornalismo, por ambas estarei sempre grata ao Dr. Balsemão.
Tive a sorte de crescer com Francisco Pinto Balsemão como figura mediática, tornei-me jornalista no Expresso casa onde impera a liberdade que imprimiu desde a fundação do jornal e que ali ficou gravada.
Mais do que a fidelidade à liberdade e à democracia - que seriam suficientes -, Francisco Pinto Balsemão passou a várias gerações de jornalistas o legado da inovação, da criatividade e da responsabilidade com a profissão.
Não me interessa hoje falar da memória do Francisco Balsemão que estudamos nos livros de história - e a quem devemos em grande parte a manutenção e os moldes da nossa democracia. E não serão suficientes as histórias que vão ser lembradas do jornalista corajoso e do homem de convicções, mas não é mais uma que quero partilhar aqui.
Interessa-me lembrar o homem que até ao fim inovou. Nos últimos anos de vida deixou no jornalismo uma marca quase tão importante como nos primeiros anos do Expresso.
No panorama mediático em Portugal, é frequente a hesitação em explorar os novos media, a desconfiança no futuro, e contrariar mais uma vez esse pensamento foi a última lição de Balsemão aos jornalistas.
Nos últimos anos Francisco Pinto Balsemão gravou três podcasts. Um deles deu-nos a esperança que o mundo não está a caminhar para pior, outro pôs-nos a pensar no futuro do mundo e da tecnologia e no último emprestou a sua voz à Inteligência Artificial dando às suas memórias uma nota de futuro - o que me parece paradigmático com o que foi a sua vida .
O Dr. Balsemão que causava sempre burburinho nos mais novos quando com ele se cruzavam nos corredores, deixa também nessas gerações a certeza de que não se é jornalista sem cultura, sem mundo. Acima de tudo que os jornalistas não podem viver em bolhas, mais do que ouvir os dois lados da mesma história deixa o legado de se ouvir todos os lados de todas as histórias.
Francisco Pinto Balsemão e os seus ensinamentos são tão importantes em 1975 quanto em 2025 e por isso, pelo jornalismo e pela democracia, não podem ser esquecidos. Temos todos a responsabilidade de os passar e deixar viver para sempre o homem que, de facto, deixou o mundo melhor.
"Hoje e sempre, a única obrigação moral que pode ser exigida ao homem é que procure deixar o Mundo onde nasceu melhorFrancisco Pinto Balsemão (1937-2025)
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