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O dia mundial, que hoje se assinala, pretende contribuir para eliminar a malária nos locais onde ela ainda existe, prevenir a sua reaparição em locais onde já foi eliminada e diminuir as taxas de mortalidade pela doença, reduzindo o número de pessoas em risco e tratando melhor as pessoas afectadas pela doença.
MAS O QUE É A MALÁRIA?
A malária é uma doença muito grave provocada por um grupo de parasitas do género Plasmodium que infectam alguns tipos de mosquitos e podem, através da picada destes insectos, ser transmitidos aos humanos, causando doença.
A forma mais grave é provocada pelo Plasmodium falciparum, que pode rapidamente levar à morte e afectar múltiplos orgãos e sistemas.
A maior parte destes casos acontece em África.
Em Portugal, os casos registados estão habitualmente associados a pessoas que viajam para destinos onde a doença é frequente, por exemplo alguns dos países africanos onde se fala português, ou a imigrantes vindos das regiões do mundo mais afectadas.
QUAL A IMPORTÂNCIA DA MALÁRIA NO MUNDO?
De acordo com as estimativas da OMS, cerca de metade da população do planeta está em risco de contrair a doença, existindo cerca de 200 milhões de casos de malária por ano.
O número de mortes está perto das 500 000 por ano, a esmagadora maioria em África.
A malária pode ocorrer em cerca de 100 países que envolvem, entre outras, regiões importantes de África, especialmente Subsaariana, regiões do sul e sudeste da Ásia, Oceânia/Pacífico Sul, Médio Oriente e partes significativas da América Central e do Sul.
A malária aproveita as condições de pobreza e a inexistência de sistemas de saúde consistentes para criar uma espiral negativa, de doença e de pobreza, que compromete o desenvolvimento económico dos países onde é mais comum.
COMO SE TRANSMITE A DOENÇA?
Qualquer pessoa pode ter malária desde que viva em países afectados pela doença ou viaje para esses locais.
A malária é habitualmente transmitida através da picada de um mosquito, a fêmea do mosquito Anopheles, que tem uma certa predilecção por picar no período noturno, entre o pôr-do-sol e o nascer do dia.
Como o parasita se instala nos glóbulos rubros das pessoas afectadas, a doença pode também ser transmitida pelas transfusões de sangue, pela partilha de seringas, pela transplantação de orgãos ou mesmo ser transmitida aos bebés durante a gravidez ou durante o parto.
A malária não se transmite por via respiratória ou nos contactos sociais entre pessoas.
QUAIS SÃO AS PESSOAS COM MAIOR RISCO DE DOENÇA E DAS SUAS COMPLICAÇÕES?
Os grupos de maior risco incluem os lactentes e as crianças com menos de 5 anos, as grávidas, os imunodeprimidos e as pessoas que regressam a locais com risco elevado de infeção após um período prolongado de ausência.
A complicação mais devastadora é a morte.
O facto de se utilizarem os meios disponíveis de protecção (repelentes, ar condicionado, redes mosquiteiras) ou de prevenção (como as “profilaxias medicamentosas”) diminuem significativamente o grau de risco.
A existência de meios de diagnóstico e de tratamento nos locais afectados são factores que também diminuem o risco de complicações graves e/ou a possibilidade de morte.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DE DOENÇA? — MALÁRIA, A GRANDE SIMULADORA!
Ao contrário do que todos gostaríamos que acontecesse, não há nenhum sinal ou sintoma de doença que permita, de forma categórica, fazer o diagnóstico imediato de malária.
Para além disso, a febre que classicamente se associa à malária pode não existir, ser variável ou ser apenas tardia.
Na verdade, os sintomas que caracterizam a fase inicial da doença são comuns a muitas outras doenças e semelhantes aos que ocorrem, por exemplo, numa gripe vulgar: mal-estar geral, fadiga, dores musculares, cefaleias... Podem também estar presentes outros sintomas inespecíficos como a náusea, vómitos ou diarreia.
Ignorar a doença nesta fase é perder a possibilidade de a controlar e abrir a porta a múltiplas complicações, que podem instalar-se de forma rápida e súbita.
Por isso, há uma “regra de ouro” que obriga — ao contrário do que acontece em países sem malária — a valorizar de forma imediata qualquer sintoma ou alteração do estado de saúde e fazer o teste rápido de despiste da malária. Este teste deverá repetir-se, mesmo que o teste inicial seja negativo, se os sintomas se mantiverem ou agravarem.
A malária ou a suspeita de malária são uma emergência médica.
QUANDO APARECEM OS SINTOMAS?
Os sintomas de malária aparecem depois de um período mínimo de “incubação” de 7 dias, mas podem aparecer até anos depois da picada/infeção.
Deve manter-se um elevado índice de suspeição pelo menos nos primeiros 3 meses após a saída da zona de risco, pois é neste período que os casos mais graves geralmente se manifestam.
COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO?
O diagnóstico de malária pode ser feito através de testes rápidos que detetam a infeção ou da observação de uma “gota espessa” de sangue que permite, através do microscópio, a identificação direta dos parasitas, bem como quantificar a gravidade da infeção.
A MALÁRIA É TRATÁVEL? E É PREVENÍVEL?
Sim, a malária é facilmente tratável se o diagnóstico for precoce e o tratamento for pronto e adequado. Os tratamentos tardios ou com fármacos/doses inadequados podem não evitar as complicações da doença ou prevenir a morte.
A malária pode também ser prevenida. Como fazer?
- Minimizar o contacto com os mosquitos e tomar precauções (roupa, uso de repelentes) que evitem as picadas, nomeadamente nos períodos de maior risco (durante a noite, do “pôr-do-sol” ao “nascer do dia”);
- Dormir em ambientes controladas, com ar condicionado ou redes mosquiteiras (de preferência impregnadas com insecticidas de longa duração);
- Efectuar a medicação preventiva que evita o aparecimento da doença;
- Utilizar insecticidas residuais nas habitações para reduzir o risco de transmissão da doença.
Ao contrário de outras doenças, as vacinas não são ainda eficazes na prevenção da malária. O parasita que provoca a doença tem um ciclo de vida muito complexo, pelo que o nosso organismo tem dificuldade em montar uma resposta imunológica eficaz e duradoura.
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