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Segundo o The Guardian, cerca de 400 residentes foram retirados do edifício de dez andares situado no bairro de Esquilino, em Roma, ocupado por grupos comunitários desde 2013. Os moradores não poderão regressar ao espaço depois de o proprietário privado ter recusado a proposta da Câmara de Roma para comprar o imóvel.

Um porta-voz do Ministério da Administração Interna italiano confirmou que o proprietário recuperou a posse do edifício “em conformidade com a lei”, depois de as autoridades terem encerrado o local no âmbito de verificações de segurança.

A saída dos moradores reacendeu o debate político em Itália sobre edifícios ocupados, que o Governo de Giorgia Meloni considera associados a problemas de criminalidade, incluindo espaços apoiados por associações ligadas à esquerda. Os críticos questionam a posição do executivo perante o Spin Time, comparando-a com a ocupação de um edifício estatal pela organização neofascista CasaPound, no mesmo bairro, há mais de 20 anos.

Pessoas de várias nacionalidades, incluindo crianças, foram obrigadas a abandonar o Spin Time Labs a 29 de julho, depois de um pequeno incêndio ter deflagrado no edifício. O fogo foi rapidamente controlado por um grupo de residentes antes de se conseguir propagar.

O edifício foi posteriormente fechado pela polícia durante as inspeções de segurança e ficou sujeito a duas ordens judiciais de apreensão: uma relacionada com o processo legal iniciado pelo proprietário para recuperar a posse do imóvel e outra associada ao incêndio.

Embora algumas pessoas tenham conseguido ficar temporariamente em casa de familiares ou amigos, mais de 200 antigos residentes continuam a dormir em tendas instaladas no exterior do edifício. Entre eles estão idosos e pessoas com problemas de saúde. O jornal britânico refere ainda que uma criança teve de ser hospitalizada esta semana devido a dificuldades respiratórias.

A Câmara Municipal de Roma, liderada pela esquerda e apoiada pela organização de caridade católica Caritas, procura agora alternativas para responder à situação.

Ao mesmo tempo, a comunidade do Spin Time lançou um apelo público e angariação de fundos para apoiar a continuidade do projeto, depois de centenas de pessoas terem ficado acampadas na rua na sequência do despejo. Numa mensagem divulgada pelos residentes, o grupo afirma que cerca de 150 famílias enfrentam uma situação de abandono, com idosos e crianças entre as pessoas que permanecem no exterior do edifício enquanto aguardam uma solução burocrática para o futuro das cerca de 450 pessoas que viviam no espaço.

Os moradores descrevem o Spin Time não apenas como uma ocupação habitacional, mas também como um centro de convivência, voluntariado e solidariedade, onde foram criadas redes comunitárias. O apelo pede apoio através de donativos ou da participação presencial junto às tendas instaladas na Via Santa Croce in Gerusalemme, em Roma.

Segundo Tommaso Monni, ativista do Spin Time há mais de seis anos e membro do órgão de gestão da comunidade, os fundos angariados serão transferidos integralmente para a associação Spin Time Labs – Cantiere di Rigenerazione Urbana APS, entidade responsável pelo apoio e proteção da comunidade de residentes, famílias e ativistas ligados ao espaço.
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