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Um artigo no jornal Politico refere que o assassinato do aiatola Ali Khamenei, numa operação liderada por Israel e apoiada pelos Estados Unidos, abalou profundamente Vladimir Putin, atingindo dois dos seus instintos mais fortes: a paranoia sobre a própria sobrevivência e a determinação em manter o poder, em particular através da vitória na guerra da Ucrânia. Putin descreveu a morte como um “assassinato… cometido em violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”, mas não identificou publicamente os responsáveis.
No Kremlin, a notícia evocou memórias de quedas brutais de aliados, como a morte de Muammar Gaddafi, em 2011, que Putin considerou um ato de traição por parte do Ocidente e que marcou uma viragem na sua política interna e externa. Desde então, Putin tem vivido cada vez mais isolado, com encontros com diplomatas e cidadãos cuidadosamente controlados, e as suas decisões moldadas por uma mentalidade defensiva de bunker.
A sucessão rápida de derrotas de aliados, Maduro na Venezuela e Khamenei no Irão, reforçou a desconfiança de Putin em relação ao Ocidente. Comentadores pró-Kremlin alertaram que Washington poderia aplicar a mesma estratégia à Rússia, usando os ataques contra aliados como aviso. Ao mesmo tempo, o Kremlin adotou um tom mais diplomático: expressou desapontamento pelo falhanço das negociações EUA-Irão, mas sublinhou que a prioridade de Moscovo continua a ser a defesa dos seus interesses na Ucrânia.
Putin mostra-se pragmático: apesar do impacto emocional da morte de Khamenei, não vai comprometer os seus objetivos estratégicos. A crise iraniana oferece à Rússia vantagens, como a possibilidade de aumento do preço do petróleo, divisões entre Europa e EUA sobre a resposta e distração de Washington em relação à guerra na Ucrânia. Além disso, a Rússia detém o maior arsenal nuclear do mundo, reforçando a sua posição de dissuasão, embora Putin reconheça que a maior ameaça continua a vir de dentro, intrigas palacianas e potenciais tentativas de derrubá-lo, um destino que, historicamente, outros ditadores enfrentaram de forma abrupta e violenta.
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