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A cerimónia decorreu no interior do mosteiro, onde uma coroa de flores já se encontrava junto à base da urna de pedra. Perante o túmulo do poeta, o novo chefe de Estado prestou homenagem a Luís de Camões, num gesto carregado de significado histórico e cultural.

Na rede social Instagram, evocou o poeta e escreveu: “O futuro não está escrito. O futuro constrói-se com trabalho, com visão e com esperança. Como nos recorda Camões, ‘as coisas árduas e lustrosas alcançam-se com trabalho e fadiga’.”

O Presidente acrescentou ainda: “Um tempo novo começa agora. Esta é a hora de abandonarmos a nostalgia e a repetição do passado e de as substituir por uma visão esperançosa de um Portugal renovado, moderno e justo. Precisamos do melhor que há dentro de nós. Este é o momento de vencermos os medos e de erguermos a esperança.”

A vida e o mito de Camões

A figura de Camões atravessa séculos envolta em mistério e admiração, a sua vida permanece marcada por lacunas documentais, mas a sua obra permanece uma referência da cultura portuguesa.

Autor de "Os Lusíadas", publicado em 1572, Camões construiu uma epopeia clássica que narra os feitos dos portugueses no tempo dos Descobrimentos. Acompanha-se a viagem de Vasco da Gama em busca do Oriente, numa narrativa que mistura história, poesia e mitologia. Entre deuses e marinheiros, o poema exalta as aventuras marítimas que levaram Portugal até à Índia e transformaram o país numa potência global.

A biografia do poeta, contudo, está longe de ser linear. Combateu em África, terá perdido um olho em batalha, viveu na Índia e regressou a Portugal com a epopeia que celebraria a nação. Apesar da grandeza literária, morreu pobre e quase esquecido.

Sobre a sua morte, o primeiro biógrafo, Pedro de Mariz, escreveu em 1613 que foi difícil localizar o local da sepultura do poeta. Sabe-se que os seus restos mortais foram trasladados por D. Gonçalo Coutinho em 1595 para uma sepultura simples. Mais tarde, Manuel Severim de Faria confirmou que Camões fora enterrado sem campa identificada na Igreja de Santa Ana.

“Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas de seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu.", lia-se na lápide.

Há igualmente incerteza quanto ao ano da morte: alguns documentos apontam para 1579, enquanto um registo da pensão reclamada pela sua mãe indica 10 de junho de 1580. Independentemente da precisão histórica, a data consolidou-se como símbolo nacional. É nesse dia que Portugal celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, estabelecido no século XIX após estudos do Visconde de Juromenha.

Segundo relatos posteriores, já debilitado pela doença e pela perda da independência nacional após a crise que culminaria na tragédia de Batalha de Alcácer-Quibir, Camões terá dito no leito de morte:

“Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela.”

Mais de cinco séculos depois, a figura de Camões continua a ocupar um lugar central na identidade cultural portuguesa.

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Em Os Lusíadas, a epopeia nacional narra um país que se lançou “por mares nunca antes navegados”, guiado pela ambição de conhecimento e pela coragem de enfrentar o desconhecido. Marcelo, agora ex-Presidente da República, dizia que o novo Presidente eleito “terá uma tarefa ainda mais difícil” do que a sua.

Ao iniciar o mandato com uma homenagem ao poeta, António José Seguro convoca essa mesma memória coletiva: a ideia de um país que se reinventa nos momentos de viragem.

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