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Vários países europeus apresentaram uma alternativa profunda ao plano de paz norte-americano para a Ucrânia, contrariando pontos considerados favoráveis a Moscovo e reforçando a necessidade de respeitar a soberania de Kiev. O novo documento surge em plena ronda de negociações internacionais na Suíça.
O que diz o plano dos EUA?
O plano dos EUA, com 28 pontos e divulgado na semana passada, prevê concessões altamente sensíveis por parte da Ucrânia: entrega de território à Rússia, limitação drástica das suas forças armadas e renúncia a perseguir judicialmente Moscovo por alegados crimes de guerra. Estas condições geraram preocupação profunda entre aliados europeus, surpreendidos pela forma como o texto norte-americano parecia alinhar com exigências vindas do Kremlin.
A tensão intensificou-se com declarações de Donald Trump, que criticou a alegada falta de gratidão de Kiev pelos esforços de Washington para encerrar o conflito. Apesar do tom hostil, Zelensky respondeu de forma conciliatória, reafirmando a sua gratidão pela ajuda militar norte-americana, salientando que armamento como os mísseis Javelin salvou inúmeras vidas ucranianas.
A polémica agravou-se quando Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, reconheceu que o plano tinha sido inicialmente “concebido em Moscovo”, embora depois tenha recuado e defendido que o documento era de autoria norte-americana, ainda que com contributos russos e ucranianos. Esta contradição alimentou desconfiança entre aliados europeus e aumentou a pressão diplomática.
E afinal que alternativa é esta que hoje surgiu?
A Europa avançou, este domingo, com uma contra-proposta ao plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, introduzindo alterações de fundo e afastando-se de várias exigências vistas como pró-russas no documento original. A iniciativa marca uma clara divergência em relação a Washington, num momento em que negociadores norte-americanos, ucranianos e internacionais se reuniam em Genebra, refere o The Guardian.
Assim, parceiros europeus da Ucrânia decidiram avançar com o seu próprio documento. No plano alternativo, defendem que qualquer negociação territorial só deverá ocorrer após um cessar-fogo, tomando como base a atual linha da frente. Propõem ainda que a monitorização da trégua fique sob supervisão dos EUA, mantendo um papel ativo de Washington, mas sem que Kiev seja forçada a ceder cidades que controla no Donbass — uma diferença substancial em relação ao esboço apresentado pela Casa Branca.
Outro ponto marcante é a recusa em excluir a possibilidade de adesão da Ucrânia à NATO, embora o texto europeu reconheça que não existe consenso sobre este tema. O plano contém ainda propostas inesperadas, incluindo a entrega da central nuclear ocupada de Zaporíjia à Agência Internacional de Energia Atómica, que administraria a infraestrutura repartindo o fornecimento eléctrico entre Kiev e Moscovo. O exército ucraniano, em tempo de paz, ficaria limitado a 800 mil militares — mais 200 mil do que o previsto pelos EUA.
A reconstrução da Ucrânia, segundo a proposta europeia, seria financiada através de ativos russos congelados, ao contrário da solução norte-americana que previa canalizar parte desses recursos para investidores dos EUA. Em troca de um compromisso russo com uma “paz sustentável”, as sanções impostas desde 2014 seriam gradualmente levantadas, permitindo eventualmente o regresso de Moscovo ao G8.
O que diz a Ucrânia sobre tudo isto?
A proposta europeia parece reunir maior apoio entre os ucranianos. Olexiy Haran, professor na Academia Kyiv Mohyla, afirmou que a população rejeita amplamente o plano norte-americano, mas estaria disposta a aceitar o europeu, apesar de difícil. Concessões territoriais à Rússia, porém, são rejeitadas pela maioria.
Como salientou Haran, “qualquer acordo de paz não é sobre Zelensky; é sobre o povo ucraniano e a sua visão da Ucrânia como nação”. E, para a sociedade ucraniana, os pontos mais controversos do plano de Trump são simplesmente inaceitáveis.
Quanto ao presidente ucraniano, Zelensky afirmou, este domingo, que é positivo existirem “sinais de que a equipa de Trump nos ouve”.
Neste momento, considera-se que Zelensky vai aceitar bem a contraproposta europeia, uma vez que o presidente ucraniano tem sofrido enorme pressão para ceder às exigências dos EUA. Na semana passada, disse que o seu país enfrenta uma escolha impossível entre trair os interesses nacionais e perder um importante aliado, Washington. "O derramamento de sangue deve ser interrompido e devemos garantir que a guerra jamais seja reacendida", escreveu.
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