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A Conferência de Segurança de Munique (MSC), um dos mais importantes encontros internacionais sobre defesa e política externa, decidiu voltar a convidar deputados do partido da extrema-direita alemã Alternativa para a Alemanha (AfD) para a edição de fevereiro, após dois anos de afastamento, afirma o jornal britânico The Guardian. A mudança foi confirmada pelos organizadores.
A decisão surge um ano depois do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ter criticado a exclusão da AfD num discurso considerado “incisivo”, acusando a Alemanha de limitar a liberdade de expressão ao afastar o partido anti-imigração e pró-Kremlin. Questionados sobre se essa pressão influenciou o processo, os responsáveis da MSC responderam apenas que “a MSC decide de forma independente as suas próprias convocações”.
Segundo um porta-voz do evento, “foi decidido convidar membros do parlamento de todos os partidos representados no Bundestag”, nomeadamente os que integram as comissões de Negócios Estrangeiros e Defesa. No total, cerca de 19 deputados da AfD têm assento nestes grupos parlamentares.
A liderança da conferência também mudou desde que a política de exclusão foi aplicada pelo anterior presidente da MSC, Christoph Heusgen, antigo conselheiro de Angela Merkel. Com Jens Stoltenberg ainda a concluir o seu mandato como ministro das Finanças da Noruega, o veterano diplomata Wolfgang Ischinger reassumiu a direção, sendo apontado como possível responsável pela inversão estratégica.
Apesar da abertura, as críticas internas na Alemanha mantêm-se. Alexander Hoffmann, líder parlamentar da União Democrata-Cristã da Alemanha (CDU) na Baviera, alertou que vários quadros da AfD “mantêm contactos próximos com a Rússia e a China”, considerando que permitir o acesso ao evento “seria um risco para a segurança”, disse à agência dpa.
Também o politólogo Kai Arzheimer, da Universidade de Mainz, admitiu ao jornal britânico que a motivação da conferência “não é clara”, deixando no ar duas hipóteses: “evitar novas intervenções do governo norte-americano” ou representar “mais um passo na normalização” do partido.
Já Thorsten Benner, diretor do think tank Global Public Policy Institute, minimiza o risco, recordando que a conferência “rotineiramente convida uma grande delegação chinesa sem levantar suspeitas” e defende que incluir a AfD evita que o partido se apresente como vítima de censura.
Segundo o que o The Guardian apurou, o convite diz respeito apenas à conferência principal, não abrangendo os formatos confidenciais à porta fechada.
A decisão ocorre num momento em que a Alemanha debate como travar a ascensão da AfD, hoje o maior partido da oposição, com mais de 20% dos votos nas últimas eleições. Apesar de um “cordão sanitário” político impedir coligações com o partido, cinco eleições regionais marcadas para 2026 podem colocar a direita radical com avanço.
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