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Segundo Tiago Peixoto e Tomás Reis, nadadores-salvadores de serviço, em entrevista ao Correio da Manhã, a mulher estava na zona do areal quando “a onda a apanhou de surpresa e começou a arrastá-la. Corremos imediatamente e conseguimos segurá-la antes que fosse levada pela corrente”, relataram, sublinhando que a situação poderia ter tido um desfecho trágico.
O episódio foi registado em vídeo por banhistas e rapidamente circulou nas redes sociais, gerando inúmeros comentários sobre a coragem dos nadadores-salvadores e a imprudência de alguns frequentadores da praia, que ignoraram os avisos de segurança.
Além da mulher resgatada, duas crianças estiveram também em perigo. Uma delas foi retirada a tempo de uma tenda pelo pai, enquanto a outra começou a ser arrastada ao colo da avó, tendo sido socorrida por um banhista que estava por perto. “Se ninguém tivesse reagido tão rapidamente, poderíamos estar a falar de mortes”, reforça Tomás Reis.
Um agosto “inédito”
O alerta surge num contexto de agravamento das condições meteorológicas e marítimas. O aviso amarelo do IPMA foi direcionado para 10 distritos, incluindo Coimbra, devido à agitação marítima intensa provocada pelo ciclone pós-tropical ERIN.
A previsão aponta para ondas com alturas significativas até quatro metros e máximas que podem atingir os sete metros — valores pouco comuns em pleno mês de agosto.
A situação levou ao encerramento de seis barras marítimas e à imposição de condicionamentos nas de Aveiro e Figueira da Foz.
Na prática, a força do mar está a causar sérias dificuldades tanto à navegação como à segurança dos veraneantes. Várias praias da Figueira da Foz, incluindo Buarcos e Cabo Mondego, viram os seus areais parcialmente submersos, obrigando os banhistas a abandonarem o local.
Especialistas do IPMA referem, em comunicado, que, embora estas situações não sejam inéditas, são pouco frequentes nos meses de verão. “Estamos a viver um agosto com características típicas de tempestades invernais, o que aumenta a vulnerabilidade das populações e o risco de acidentes em praias tradicionalmente muito frequentadas nesta altura do ano”, destaca um meteorologista do instituto.
Autoridades reforçam alertas e medidas de precaução
O comandante da Polícia Marítima local, Pedro Cervaens, apelou ao bom senso dos frequentadores das praias: “A ondulação está acima da média para esta época. As pessoas devem procurar praias vigiadas, respeitar a sinalização e as ordens dos nadadores-salvadores”, avançou o CM.
A Autoridade Marítima Nacional (AMN) e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) emitiram recomendações específicas: evitar passeios junto à linha de costa, manter vigilância apertada sobre as crianças, não praticar pesca lúdica em zonas rochosas e reforçar a amarração de embarcações.
Segundo o IPMA, as condições adversas deverão manter-se pelo menos até domingo, com ondas entre dois e três metros ao longo de toda a costa ocidental. A conjugação da forte ondulação com marés vivas, caracterizadas por ondas muito energéticas, contribui para um risco elevado de correntes de retorno perigosas.
O episódio na Figueira da Foz é mais um alerta sobre a importância de respeitar as indicações das autoridades marítimas.
Com o mar a manter-se imprevisível e perigoso nos próximos dias, a mensagem é clara: prudência, respeito pelas bandeiras e vigilância constante são essenciais para evitar perdas irreparáveis.
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