A subida, que se iniciou no início do dia, foi acompanhada por uma multidão que aplaudiu e gritou de entusiasmo enquanto Honnold se apoiava apenas em vigas metálicas horizontais para progredir com as mãos nuas. Em determinado momento, o escalador parou e virou-se para a plateia, vestindo uma t-shirt vermelha de mangas curtas que se destacava no cenário urbano.
O desafio, inicialmente previsto para sábado, foi adiado por 24 horas devido à chuva. Depois de chegar ao topo dos 508 metros do edifício, Honnold descreveu a experiência como "incrível" e destacou a vista sobre Taipei. "Estava muito vento, por isso pensei ‘não caiam da agulha’. Estava a tentar equilibrar-me bem. Mas foi uma posição incrível, uma forma maravilhosa de ver Taiwan", afirmou.
O alpinista disse ainda esperar que a sua conquista sirva de inspiração para outras pessoas perseguirem os seus próprios objetivos. "Muitas vezes, as pessoas encontram a inspiração de que precisam para enfrentar os seus desafios ou objetivos. É frequentemente o empurrão que necessitam para fazer aquilo que querem na vida", afirmou, salientando que "é um lembrete de que o tempo é finito e devemos usá-lo da forma mais significativa possível".
A escalada gerou reações mistas, com entusiasmo pelo feito e preocupação sobre as implicações éticas de transmitir ao vivo uma acção de tão alto risco. Honnold, conhecido pela ascensão sem cordas ao El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite, subiu um dos cantos do Taipei 101 utilizando pequenos saliências em forma de “L” como apoios para os pés. Em vários pontos, teve de contornar e subir estruturas ornamentais que se projetam do edifício.
Ao contrário de outras subidas, Honnold contou com uma multidão a assistir, algo incomum para ele, habituado a escaladas em locais remotos. "Quando estava a sair do chão, pensei ‘isto é intenso, há tanta gente a ver’. Mas depois percebi que todos me desejavam sorte. Isso tornou a experiência quase mais festiva", disse.
O Taipei 101 tem 101 pisos, sendo a secção intermédia, composta por 64 pisos, a mais difícil. Conhecida como os "caixotes de bambu" que dão a forma característica ao edifício, esta zona exigiu trechos de escalada inclinada e em saliência, intercalados com pausas em varandas.
Honnold não é o primeiro a escalar o edifício, mas é o primeiro a fazê-lo sem corda. O francês Alain Robert, também alpinista de renome, subiu o Taipei 101 no dia de Natal de 2004, com corda, durante a inauguração do que então era o edifício mais alto do mundo. Robert, que cobria o evento para a CNN, felicitou Honnold e afirmou compreender o que o alpinista estaria a sentir, lembrando que a sua própria subida demorou quatro horas devido às condições meteorológicas adversas.
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