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Francisco José Pereira Pinto Balsemão nasceu a 1 de setembro de 1937, na Casa de Saúde das Amoreiras, e foi registado na freguesia de Santa Isabel, em Lisboa. Morreu hoje, aos 88 anos.

Na política, Balsemão foi eleito pela Guarda nas legislativas de 1969 e juntamente com Sá Carneiro, e outros deputados, fez parte do grupo que ficou conhecido como Ala Liberal, uma aliança política que levou, anos depois, à criação do Partido Popular Democrático (PPD). Balsemão, Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota fundaram o PPD onze dias depois do 25 de Abril.

Foi ministro de Estado Adjunto do primeiro-ministro, sendo que após a morte de Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão liderou, entre 1981 e 1983, o VII e o VIII Governos Constitucionais, mandatos marcados pelo papel crucial que desempenhou na preparação do terreno para a adesão de Portugal à CEE, especialmente através da revisão constitucional de 1982.

Francisco Pinto Balsemão, ladeado por Diogo Freitas do Amaral (E) e por Ribeiro Telles, durante uma conferência de Imprensa da coligação partidária e governativa AD (Aliança Democrática), para a apresentação do projeto de revisão constitucional
Francisco Pinto Balsemão, ladeado por Diogo Freitas do Amaral (E) e por Ribeiro Telles, durante uma conferência de Imprensa da coligação partidária e governativa AD (Aliança Democrática), para a apresentação do projeto de revisão constitucional 25 de abril de 1981. Manuel Moura / Lusa créditos: © 2012 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Balsemão também marcou o panorama do jornalismo em Portugal, tendo fundado o jornal Expresso, em 1973, e a SIC, em 1992.  Em 2001, também fundou a SIC Notícias.

Mais recentemente, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem de Camões. Em nota publicada no site da presidência da República pode ler-se que "Portugal perdeu, hoje, uma das personalidades mais marcantes dos últimos sessenta anos. Na política, na sociedade, na afirmação da liberdade de expressão e de imprensa".

"Na política, Deputado da Ala Liberal, e, nela, coautor dos projetos de revisão constitucional, lei de imprensa, lei de reunião e associação e lei de liberdade religiosas, para mudar o Portugal do final de sessenta e início de setenta. Depois do 25 de Abril, fundador do PPD, hoje PSD, Vice-Presidente da Assembleia Constituinte, Parlamentar, Governante, Presidente do Partido e Primeiro-Ministro, durante a revisão constitucional que pôs termo ao Conselho da Revolução, com a transição para a Democracia plena, longevidade, Conselheiro de Estado", escreveu Marcelo Rebelo de Sousa.

"Portugal não o esquece. Portugal nunca o esquecerá"

"Na afirmação da liberdade de expressão e de imprensa, militando contra a censura e o exame prévio, fundando o Expresso antes do 25 de Abril, criando um novo grande grupo de comunicação social, elaborando a primeira lei de imprensa democrática, integrando o Conselho de Imprensa, lançando a SIC, revolucionando o que era a informação no final da ditadura e no início da Democracia", pode ler-se.

O Presidente da República termina a nota com: "Visionário, pioneiro, criativo, determinado, batalhador, democrata, social-democrata, europeísta e atlantista, esteve em quase todos os combates de meados dos anos sessenta até hoje. Portugal não o esquece. Portugal nunca o esquecerá".

Palmas de homenagem no Conselho Nacional do PSD

Após o Conselho Nacional do PSD, Luís Montenegro anunciou a morte do militante número um do PSD. Durante longos segundos ouviram-se palmas de homenagem dos conselheiros ao fundador, reporta o jornal Observador.

"Francisco Pinto Balsemão e Francisco Sá Carneiro estruturaram a sua matriz ideológica e dos seus valores que ainda hoje nos inspiram e alimentam", referiu Luís Montenegro aos jornalistas após saber da morte do fundador do PSD.

"Nós fomos sempre inspirados nesse ato fundador, é uma notícia muito triste de alguém muito próximo e muito presente. Sempre com uma palavra de estimo, análise, apreciação, em todos os momentos de reflexão, em todos os atos eleitorais", recordou o atual primeiro-ministro.

"Um democrata, fundador da nossa democracia, alguém que representou Portugal, com a missão de ser PM. Amanhã temos uma reunião de Conselho de Ministros e pretendemos decretar luto nacional no dia em que se vão realizar as cerimónias fúnebres", explicou Montenegro.

(E-D) Fernando Amaral, Diogo Freitas do Amaral, Francisco Pinto Balsemão e Gonçalo Ribeiro Teles no encerramento do comício da Aliança Democrática (AD), no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, na véspera da greve geral
(E-D) Fernando Amaral, Diogo Freitas do Amaral, Francisco Pinto Balsemão e Gonçalo Ribeiro Teles no encerramento do comício da Aliança Democrática (AD), no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, na véspera da greve geral 11 de fevereiro de 1982. Manuel Moura / Lusa créditos: © 2012 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Luís Marques Mendes, atual candidato à presidência da República, recordou Francisco Pinto Balsemão na antena da CNN Portugal, que apoiava a candidatura do mesmo, como "um exemplo incontornável, será sempre uma referência em termos de democracia, será sempre uma referência nacional em relação à liberdade da imprensa".

"A última vez que falámos, por telefone, foi uns dias antes da comissão política da minha candidatura, mas fez questão de mandar uma mensagem, já que não podia estar presente. Foi o último momento em que falámos", recordou Marques Mendes.
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