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Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul assinaram este sábado um acordo comercial histórico que estabelece a maior área de livre comércio do mundo. A cerimónia decorreu no Grande Teatro José Asunción Flores, sede do Banco Central do Paraguai, o mesmo local onde foi assinado, em 1991, o tratado fundador do Mercosul.
O que prevê o acordo?
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que atualmente representam mais de 90% do comércio entre os blocos.
Além disso, estabelece regras comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O tratado visa integrar os mercados, aumentar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro, e criar oportunidades económicas sustentáveis para empresas e cidadãos de ambos os continentes.
Quem esteve presente?
Pelo Mercosul:
- Presidente do Paraguai, Santiago Peña;
- Presidente da Argentina, Javier Milei;
- Presidente do Uruguai, Yamandú Orsi;
- Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz;
- Panamá, José Raúl Mulino;
- Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira.
Pela União Europeia:
- Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen;
- Presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Quais as reações ao acordo?
- Santiago Peña classificou o tratado como um “feito histórico” e salientou que o acordo envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre os países;
- Ursula von der Leyen destacou que os dois blocos optaram “pela parceria em vez do isolamento” e “pelo comércio justo em vez das tarifas”, sublinhando que o acordo representa uma conquista construída ao longo de mais de duas décadas;
- António Costa reforçou a importância do tratado num contexto global marcado por turbulências geopolíticas, destacando o compromisso das regiões com o multilateralismo e regras claras;
- Yamandú Orsi afirmou que o pacto expressa uma responsabilidade histórica com a democracia, o Estado de Direito e o comércio justo;
- Javier Milei considerou que a assinatura representa um ponto de partida e apelou à preservação do espírito do que foi negociado durante a implementação;
- Rodrigo Paz sublinhou que o tratado envia uma mensagem de cooperação e soluções conjuntas em tempos de conflitos globais.
Quais os próximos passos?
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa de ser ratificado pelos parlamentos de todos os países membros dos dois blocos.
Na União Europeia, o Parlamento Europeu analisará o texto, podendo partes dele exigir aprovação adicional pelos parlamentos nacionais.
No Mercosul, o tratado vai passar pelos congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Enquanto isso, a aplicação provisória de algumas disposições, como a redução de tarifas, poderá antecipar certos efeitos económicos.
Quais os entraves?
O tratado enfrenta resistências, sobretudo na União Europeia, onde França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polónia manifestaram preocupações com o impacto no setor agrícola.
Assim, o texto final tenta equilibrar interesses, prevendo salvaguardas para a agricultura europeia e requisitos ambientais mais rigorosos.
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