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De acordo com o The Guardian, com 99% dos votos apurados, o partido de extrema-direita obteve 40,8% dos votos a nível nacional, enquanto a coligação Fuerza Patria ficou nos 31,7%. A vitória, embora expressiva, não foi suficiente para garantir a maioria no Congresso, que continua sob controlo da oposição por apenas três lugares.
A campanha eleitoral decorreu sob forte polémica, marcada pelo anúncio do presidente norte-americano Donald Trump de um pacote de ajuda de 40 mil milhões de dólares à Argentina, condicionado à vitória de Milei. O apoio de Washington, visto por críticos como interferência externa, acabou por se tornar um dos temas centrais do escrutínio.
“Hoje ultrapassámos o ponto de viragem. Começa a construção de uma grande Argentina”, afirmou Milei, num discurso eufórico perante centenas de apoiantes em Buenos Aires, antes de cantar no palco: “Sou o rei de um mundo perdido.” O presidente descreveu o resgate financeiro anunciado por Trump como “algo sem precedentes na história mundial”.
Trump, por sua vez, felicitou o aliado argentino, classificando o resultado como “uma vitória esmagadora”. “Ele teve muita ajuda nossa”, admitiu o presidente norte-americano, que elogiou o desempenho do seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, que coordenou a assistência financeira.
Nas eleições, estavam em disputa 127 dos 257 assentos da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. O partido de Milei conquistou 64 lugares na câmara baixa e 12 no Senado. Com os novos mandatos, o governo alcança um dos seus principais objetivos: garantir um terço dos votos necessários para sustentar eventuais vetos presidenciais.
Desde a sua chegada ao poder, há quase dois anos, Milei aplicou uma agenda económica radical, apelidada de “plano motosserra”, que incluiu cortes drásticos na despesa pública, congelamento de investimentos e despedimentos em massa. A estratégia reduziu a inflação de mais de 200% em 2023 para cerca de 30% em setembro deste ano, e o país registou o primeiro superavit fiscal em 14 anos.
Apesar dos indicadores macroeconómicos, o custo social das medidas é elevado. O poder de compra caiu acentuadamente, mais de 250 mil empregos foram perdidos e cerca de 18 mil empresas encerraram. A popularidade de Milei sofreu também com escândalos: a promoção de uma criptomoeda que colapsou, alegações de corrupção envolvendo a sua irmã e chefe de gabinete, Karina Milei, e a retirada de um candidato acusado de receber dinheiro de um empresário ligado ao narcotráfico.
Perante a fuga de reservas cambiais e o peso sob pressão, o governo recorreu primeiro ao Fundo Monetário Internacional — que emprestou 20 mil milhões de dólares — e depois a Trump, que reforçou o apoio com o pacote adicional de 40 mil milhões.
A participação eleitoral foi a mais baixa desde o regresso da democracia, em 1983: apenas 67,85% dos eleitores votaram, apesar da obrigatoriedade do voto. Especialistas citados pelo jornal The Guardian veem no resultado um sinal misto — de um lado, a sobrevivência política de Milei, do outro, o alerta de que o entusiasmo inicial pelo “anarcocapitalismo” argentino começa a dar lugar ao cansaço social e económico.
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