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Depois de perder quase 38 quilos desde dezembro, com a ajuda de injeções para emagrecer, Emilly Murray, de 35 anos e residente em Liverpool, deparou-se com um problema inesperado: a pele solta que ficou como “lembrança” do corpo anterior.
“Não consigo vestir o que quero”, contou à BBC, explicando que evita mostrar as pernas porque a pele das coxas cai sobre os joelhos. Apesar de reconhecer os benefícios para a saúde, admite sentir-se desanimada e desconfortável com a própria imagem: “Parece tudo aceitável com a roupa certa, mas nua sinto-me como uma mulher de 90 anos.”
As injeções de emagrecimento, como o Wegovy e o Mounjaro, atuam ao reduzir o apetite e têm sido cada vez mais utilizadas. No Reino Unido, o Wegovy está disponível no sistema público de saúde (NHS) desde 2022, enquanto o Mounjaro passou a ser receitado em 2024. Ambos podem também ser adquiridos em clínicas privadas. Apesar da eficácia, não são recomendados a todos os doentes, podendo provocar efeitos secundários graves.
O emagrecimento rápido potencia o aparecimento de pele flácida. Nora Nugent, presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos (BAAPS), explica que a pele se adapta ao ganho de peso, mas nem sempre recupera após a perda: “Quanto mais rápido o emagrecimento, mais evidente será a flacidez.”
Este excesso de pele pode causar infeções e desconforto físico, mas muitas vezes é sobretudo um problema estético e psicológico. Surgiu até a expressão “Ozempic face”, em alusão ao aspeto abatido do rosto após perda de gordura e elasticidade.
Nas comunidades online dedicadas a estas terapias, multiplicam-se conselhos para tentar contrariar o problema: reforço muscular, suplementos de colagénio ou cremes específicos. Contudo, segundo especialistas, estas medidas raramente resolvem casos de emagrecimento significativo — apenas a cirurgia pode remover pele em excesso.
Procedimentos como a abdominoplastia, o lifting de coxas, a correção dos braços ou a elevação mamária fazem parte do chamado “body contouring”. No entanto, estas intervenções só são comparticipadas pelo NHS em situações excecionais, quando a pele flácida interfere seriamente com tarefas básicas como vestir-se ou cuidar da higiene pessoal.
De acordo com o cirurgião plástico Mark Soldin, que trabalha no setor público e privado em Londres e Surrey, a maioria dos pedidos é recusada, já que a prioridade do sistema público continua a ser o tratamento de doenças graves como o cancro ou problemas cardíacos. Para os restantes casos, os custos podem ultrapassar as 40 mil libras em clínicas privadas.
Apesar das barreiras, muitas pessoas tentam poupar para a cirurgia. É o caso de Emilly, que pondera recorrer a empréstimos para concretizar o desejo de remover a pele solta. Já Grace Parkin, de Sheffield, decidiu viajar para o estrangeiro, onde planeia realizar uma abdominoplastia, lipoaspiração e elevação mamária por valores mais acessíveis.
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